quinta-feira, 3 de maio de 2012

Lagartos fósseis brasileiros

Os lagartos tiveram sua origem por volta de 200 milhões de anos atrás, durante a era Mesosóica. Portanto, é esperado que muitas espécies de lagartos tenham existido em nosso planeta, desde tempos remotos, em uma grande diversidade de formas e comportamentos. Apesar disto, em geral, pouco se sabe sobre os lacertílios do passado.
Os fósseis constituem a ferramenta mais importante para se acessar as formas de vida do passado. Entretanto, o registro fóssil é reconhecidamente incompleto e descontínuo, existindo relativamente poucos locais em que o processo de fossilização nos permite acessar informações de um passado distante.
Na perspectiva dos lagartos fósseis, o Brasil tem fornecido relevantes contribuições para nossa compreensão sobre a biologia deste grupo. Entre os fósseis de lagartos brasileiros da Era Mesozóica, destacam-se Olindalacerta brasiliensis, Pristiguana brasiliensis e Tijubina pontei (CANDEIRO, 2007).
O primeiro lagarto fóssil descrito para o Brasil, e também para a América do Sul, constitui na espécie Pristiguana brasiliensis, do Cretáceo Inferior, descoberto por Estes e Price em 1973, oriundo do município de Uberaba, estado de Minas Gerais.
Por quase 25 anos, Pristiguana brasiliensis manteve-se como o único lagarto fóssil brasileiro, entretanto em 1997, Bonfim e Marques descreveram Tijubina pontei, do Cretáceo Superior, encontrado no município de Nova Olinda, estado do Ceará.
A partir de então, as pesquisas sobre lagartos fósseis se intensificaram, fato que culminou com a descrição em 1998 de Olindalacerta brasiliensis, do Cretáceo Superior, por Evans e Yabumoto. Este lagarto da mesma forma que Tijubina pontei foi encontrado na Bacia do Araripe no estado do Ceará.
A mais recente contribuição para a saurofauna fóssil brasileira da Era Mesosóica foi o descobrimento de Brasiliguana prudentis, do Cretáceo Superior, recentemente descrita para o município de Presidente Prudente, estado de São Paulo (NAVA & MARTINELLI, 2011).

Maxila esquerda de Brasiliguana prudentis, em vista lateral (A) e ventral (B).

Estes ícones da história dos lagartos brasileiros representam bem mais do que meras descrições de espécies de um passado longínquo. Estas recentes descobertas têm incrementado a compreensão sobre a origem dos répteis escamados (Squamata), sua distribuição espacial (paleobiogeografia), bem como sua história evolutiva. Em resumo, o conhecimento atual sobre lagartos fósseis nos permite supor que o ancestral destes animais viveu há aproximadamente 200 milhões de anos no hemisfério oeste da Terra, o que hoje equivale às massas continentais que compõem as Américas.

Por: Daniel Passos, membro do NUROF-UFC

Fonte:  http://blogdonurof.wordpress.com

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Candeiro, C. R. A. Paleogeographic Distribution Of The Terrestrial Squamate Reptiles From The Cretaceous Of Brazil. Bioscience Journal, 23: 65 – 74. 2007.
Nava, W. R. & Martinelli, A. G. A new squamate lizard from the Upper Cretaceous Adamantina Formation (Bauru Group), São Paulo State, Brazil. Annals of the Brazilian Academy of Sciences, 83: 291 – 299. 2011.

Fêmeas de Lagarto em condições de estresse preparam a prole para tais condições desde cedo

Fêmeas de lagarto em condições de estresse parecem preparar a prole para as condições que ele encontrará ao nascer.

Condições de estresse podem influenciar o modo de alocação de energia dos animais. Pesquisadores avaliaram o estado de saúde de fêmeas e filhotes de lagartos vivíparos da família Scincidae que passaram pelas condições de estresse devido à escassez de alimento e compararam com os animais que não estiveram sob estresse.

Skink, Lagarto vivíparo da família Scincidae. 
Crédito: Erik Wapstra

O estudo mostrou que as fêmeas estavam em um estado de saúde melhor após o nascimento da prole desenvolvida sob condições de estresse alimentar. Os filhotes destas fêmeas nasceram menores e com crescimento lento, porém com reservas maiores de de gordura, o que seria vantagem para a prole em um ambiente pós-natal estressante. Além disso, estudos anteriores mostram que filhotes menores podem ter bom desempenho em condições de alta densidade de predadores.

Fonte: http://blogdonurof.wordpress.com

Lagartos brasileiros: peçonhentos não, mas nem tão inofensivos

NÃO existe nenhuma espécie de lagarto naturalmente estabelecida em território nacional que produza toxinas em seu corpo (ou seja, venenosa), ou muito menos que seja capaz de inocular veneno em presas ou predadores (isto é, peçonhenta). Apesar disto, sou frequentemente indagado acerca dos perigos potenciais dos lagartos aos seres humanos. Como resposta, informo que, em geral, os lagartos brasileiros não provocam riscos relevantes, mas que são dotados de ferramentas naturais e estratégias defensivas para se proteger de ameaças.


Figura 1. Indivíduo adulto de Tupinambis merianae do plantel NUROF-UFC.

Entre as táticas defensivas de lagartos, a mais primária é evitar ser detectado por seu predador, através da combinação de comportamentos crípticos, como camuflagem, coloração disruptiva e imobilidade. Após ser encontrado por um predador, o comportamento mais amplamente executado por lagartos é a fuga, na tentativa de escapar da ameaça. Entretanto, algumas vezes o lagarto está encurralado e, nestes casos, alguns comportamentos de intimidação podem ser exibidos no sentido de dissuadir seu potencial predador, como abrir a boca, inflar o corpo e agitar a cauda (Martins, 1996). Mesmo após todas estas tentativas de defesa, o predador pode persistir em sua investida e então, os lagartos podem se utilizar de ferramentas para atacar e agredir seu oponente. Na perspectiva dos lagartos, existem três principais tipos de dispositivos de ataque (neste caso para se defender): a cauda, as garras e a boca.
Neste âmbito, apresento os possíveis, embora pequenos, riscos da aproximação e manipulação de lagartos por leigos. Em especial, me detenho a duas espécies de grande porte que ocorrem no Brasil, a Iguana-verde (Iguana iguana) e o Tejo (Tupinambis merianae), ambas podendo atingir mais de um metro e meio de comprimento.
Figura 2. Datealhe da cabeça de Tupinambis merianae.

Obs: Vale frisar que as duas espécies citadas algumas vezes são criadas domesticamente como pets e podem tornar-se bastante dóceis, fornecendo pouco ou nenhum risco aos seus proprietários.
A longa e robusta cauda das Iguanas e dos Tejos, mecanicamente utilizada para locomoção e equilíbrio, constitui um tipo de arma de longo alcance que evita a aproximação exagerada do potencial predador. Ao ser agitada bruscamente, a cauda pode ser usada como um “chicote” para golpear o adversário, causando bastante dor no local atingido.
As fortes garras afiadas, usadas pelas Iguanas para se fixar e se locomover nas árvores e pelos Tejos para forragear e escavar tocas, quando os lagartos são manipulados, podem atingir a pele, causando danos físicos e provocando hemorragias locais.
A boca, ornamentada com fortes dentes, é pouco utilizada com fins defensivos por Iguanas, mas é uma das mais importantes armas dos Tejos. No caso dos Tejos, sua dentição é caracterizada pela heterodontia (presença de vários tipos de dentes), podendo desempenhar funções de corte, perfuração e esmagamento (Brizuela & Albino, 2010).
Recentemente, foi publicado um caso de mordida de Tejo em humanos. A vítima levou uma mordida no dedo indicador da mão direita ao tentar separar a briga entre seu cão e um Tejo com cerca de 1,5 m de comprimento. A lesão provocou perda de tecido, fratura óssea na falange distal, intensa hemorragia, inflamação local e dor intensa por mais de 10 horas. A intensidade da injúria foi tamanha que necessitou de intervenção cirúrgica, com a aplicação de enxerto cutâneo para reabilitação funcional e benefícios estéticos ao paciente (Haddad et al, 2008).

Figura 3. Crânio de Tupinambis merianae.

Portanto, embora a maioria dos lagartos cause pouco ou nenhum risco à saúde dos seres humanos, algumas espécies de grande porte merecem maior atenção. A lida com animais selvagens exige conhecimento biológico, prudência e responsabilidade, assim espero que esta postagem sirva como um alerta aos leitores que por ventura desejem se aproximar demais ou até manipular grandes lagartos como as Iguanas e os Tejos. Estejam cientes: Lagartos brasileiros: peçonhentos não, mas nem tão inofensivos!

Por: Daniel Passos, membro do NUROF-UFC 

Fonte: http://blogdonurof.wordpress.com

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRIZUELA, S. & ALBINO, A. M.. 2010. Variaciones dentarias en Tupinambis merianae (Squamata:Teiidae). Cuadernos de Herpetología, 24(1): 5-16.
HADDAD JR., V.; DUARTE, M. R.; GARRONE NETO, D. 2008. Tegu (Teiu) Bite: Report of Human Injury Caused by a Teiidae Lizard. Wilderness and Environmental Medicine, 19: 111-113.
 MARTINS, M. 1996. Defensive tactics in lizards and snakes: the potential contribution of the neotropical fauna. Anais do XIV Encontro Anual de Etologia, 14:185-199.

Apesar do medo, cobras devem ser preservadas, ensina biólogo

A cobra é um animal cercado de medos e superstições. Como para muitas pessoas elas são malignas, geralmente são mortas, mas ao eliminar as cobras, também eliminamos um predador importante dos ratos, considerados uma praga nociva. Dependendo da cobra, ela pode comer até 15 ratos em uma semana.
O biólogo Ed Carlos Soares, especialista em cobras, é referência no salvamento de espécimes em risco em Mogi Guaçu, na região de Campinas, e hoje mantém 20 desses animais na casa onde mora, entre elas uma jiboia que chegou com queimaduras graves. A cobra passou por tratamento e, após 45 dias, está quase pronta para voltar à natureza.

Cobra encontrada ferida foi levada para tratamento
em Mogi Guaçu (Foto: Reprodução EPTV)
 
Na casa também estão uma urutu, espécie ameaçada de extinção, e uma cascavel, que chegou quase morta e, após três meses, exibe os sinais de saúde.
Quando estão completamente saudáveis, as cobras são levadas até o município de Espírito Santo do Pinhal, também na região de Campinas, onde a soltura é feita em uma área autorizada.
O trabalho é supervisionado pelo veterinário Paulo Roberto Martim, da Universidade de Pinhal, que explica que preservar a espécie é uma forma de controle de doenças e pragas como os ratos.

Biólogo Ed Carlos Soares com cobra em tratamento no Projeto Serpentes do Brasil (Foto: Reprodução EPTV)


O biólogo Miguel Carlos Mattar reforça a necessidade de preservação das cobras como predadores dos ratos, que transmitem doenças.O perigo para o ser humano realmente existe, já que, em média, a cada mil pessoas picadas, uma morre da vítima. Mas além da necessidade de preservação, matar uma cobra é crime ambiental, já que elas são animais silvestres. Quem encontrar uma cobra deve chamar o Corpo de Bombeiros 193.
Quem quiser conhecer mais sobre as cobras pode entrar no site do projeto Serpentes do Brasil.

Dinossauros já estavam em declínio antes da extinção, diz estudo



População de herbívoros de grande porte já estava diminuindo.
Localização geográfica pode ter influenciado fenômeno, afirmam cientistas.

Estudo realizado pelo Museu Americano de História Natural, dos Estados Unidos, sugere que a população de algumas espécies de dinossauros estava em decadência devido a problemas ecológicos antes da extinção em massa – que causou a morte desses animais.
Segundo a pesquisa, publicada nesta terça-feira (1°) na revista “Nature Communications”, exemplares que não voavam, de grande porte e que se alimentavam de plantas estavam em declínio nos últimos 12 milhões de anos do período denominado Cretáceo.
De acordo com os cientistas, a localização geográfica pode ter influenciado no “sucesso” biológico dos animais. Para o estudo, foram analisadas diferenças na evolução dos dinossauros de sete grupos de espécies “grandes”, a partir de esqueletos de 150 espécies diferentes.
Com isso, verificou-se que os grupos de hadrossauros e do ceratopsídeos –  dinossauros de grande porte e alimentação herbívora --, podem ter experimentado um declínio na população 12 milhões de anos antes da extinção.


Diferenças por região

Porém, existem desigualdades nesta queda de espécimes quando elas são comparadas em diferentes regiões do mundo. Segundo o estudo, embora ocorra redução na biodiversidade na América do Norte, houve registros de aumento na Ásia durante o último período do Cretáceo.
Segundo Steve Brusatte, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, isto mostra que o “mundo dos dinossauros” não foi totalmente perdido de uma maneira violenta. Ele sugere que mudanças dramáticas ocorreram com esses animais a longo prazo, pelo menos na América do Norte.

Fonte: G1

domingo, 29 de abril de 2012

Sabonetes Pré-históricos

O sabonete Dinosoap vem com "fósseis" de dinossauros escondidos em seu interior e após algumas semanas de uso começam a aparecer. 

Os sabonetes jurássicos estão disponíveis com fósseis de três dinossauros: Tiranossauro Rex, Triceratops e Pterodáctilo.



Fonte: http://olhaquemaneiro.blogspot.com.br

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