quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Insetos ganharam a batalha contra o meteorito que matou os dinossauros

Vida no hemisfério sul se recuperou duas vezes mais rápido do que no norte após o impacto

Os níveis de diversidade se recuperaram em cerca de quatro milhões de anos, duas vezes mais rápido do que no norte

Área em que caiu o meteorito de Chixculub na Península de Yucatán, vista do espaço. ESA

Há 66 milhões de anos, uma rocha espacial de 10 quilômetros colidiu com a Terra causando uma explosão equivalente a 7 bilhões de bombas atômicas. O choque levantou uma enorme nuvem de rocha pulverizada que se elevou até cobrir o globo inteiro e mergulhar tudo em uma escuridão profunda. Tsunamis de mais de 100 metros varreram as costas do atual Golfo do México, onde o meteorito caiu, e aconteceram fortes terremotos. Parte dos escombros levantados pelo impacto começou a cair como minúsculos meteoritos e transformaram o planeta em um inferno de florestas em chamas. As plantas que não se queimaram ficaram sem luz solar durante meses. Três de quatro seres vivos no planeta foram exterminados, incluindo todos os dinossauros não emplumados.

Uma das grandes incógnitas sobre o evento de extinção do Cretáceo é se existiu um refúgio onde a vida se manteve mais ou menos intacta. Alguns estudos localizaram esse oásis no hemisfério sul do planeta, especialmente perto do Polo.

“A maior parte do que sabemos sobre a extinção e a recuperação da vida na Terra após o asteroide vem do oeste dos EUA, relativamente próximo ao local do impacto, em Chixculub, México”, diz Michael Donovan, pesquisador da Universidade estadual da Pensilvânia (EUA). Sabe-se “muito menos” do que aconteceu em outras áreas mais remotas, afirma, mas há estudos recentes do pólen e dos esporos que sugerem que na Patagônia e na Nova Zelândia a extinção de plantas foi muito menor.

Estudos recentes sugerem que na Patagônia e na Nova Zelândia a extinção de plantas foi muito menor.

Em um estudo publicado hoje na Nature Ecology & Evolution, Donovan e outros cientistas dos EUA, Argentina e China estão explorando a hipótese do refúgio do sul através da análise das folhas fósseis de antes e depois do impacto encontradas na Patagônia argentina. Especificamente, a equipe de pesquisadores analisou as pequenas mordidas deixadas por insetos herbívoros na vegetação para estimar quando foi recuperado o nível de biodiversidade que havia antes do desastre.

Os resultados mostram que, como foi observado no hemisfério norte, os insetos do sul praticamente desapareceram após a queda do meteorito. Mas os fósseis analisados também mostram que os níveis de diversidade de insetos se recuperaram em cerca de quatro milhões de anos, duas vezes mais rápido do que no norte.

“Estudamos também os minadores, rastros de deterioração nas folhas feitas por larvas de insetos ao se alimentarem”, diz Donovan. “Não encontramos nenhuma evidência da sobrevivência de minadores do Cretáceo, o que sugere que este não foi um refúgio para esses insetos”, explica, mas nos restos após o impacto logo aparecem novas espécies.

O trabalho reforça a hipótese de que a vida voltou antes nas áreas mais distantes do ponto de impacto, “embora também possa ter existido outros fatores desconhecidos”, adverte Donovan. As diferenças no tempo de recuperação provavelmente influenciaram nos padrões de biodiversidade até a atualidade, afirma.

O trabalho também pode ajudar a explicar por que outras pequenas criaturas que se alimentavam de insetos acabaram conquistando a Terra depois de sobreviver ao meteorito que matou os dinossauros. “É possível que as mudanças na cadeia alimentar causados pela extinção dos insetos após o impacto, seguidas da recuperação dos níveis anteriores tenham afetado outros organismos, incluindo os mamíferos”, afirma.

Fonte: El País

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Pesquisadores dizem ter descoberto o maior dinossauro do Brasil

Fóssil tem 25 metros de comprimento e foi encontrado no interior de SP.
Ele será exposto no Museu de Ciências da Terra a partir desta quinta (6).

Cientistas de várias instituições do país anunciaram, na manhã desta quarta-feira (5), a descoberta do que dizem ser o maior dinossauro já encontrado no Brasil, com 25 metros de comprimento. O fóssil que levou à conclusão foi encontrado em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. O animal viveu no país há 70 milhões de anos, segundo os pesquisadores.

A descoberta, anunciada no Museu de Ciências da Terra, na Urca, Zona Sul do Rio, revela novas informações sobre as espécies que habitaram o território brasileiro. O Austroposeidon magnificus, como foi chamado, teve vértebras do pescoço e da coluna vertebral encontradas no local onde uma estrada estava sendo aberta.

Com base nas características anatômicas, o animal pode ser classificado no grupo dos titanossauros, que eram dinossauros herbívoros com um corpo bem desenvolvido, pescoço e cauda longa e um crânio relativamente pequeno. Habitaram o mundo principalmente durante o período cretáceo, nas áreas onde atualmente são a América do Sul, a África, a Antártida e a Oceania.

A descoberta do fóssil aconteceu na década de 50, pelo paleontólogo Llewellyn Ivor Price, que faleceu em 1980 e não chegou a ver sua descoberta reconhecida.  A demora no anúncio se deve ao tempo necessário para estudar o material.

"Price se preocupou em criar um ambiente de pesquisa. Graças a isso, conseguimos criar uma equipe que vem trabalhando, um laboratório adequado e fazer os trabalhos científicos que precedem uma grande descoberta", afirmou o diretor do Museu de Ciências da Terra, Diógenes Campos.

Alex Kellner, paleontólogo do Museu Nacional (UFRJ), destaca que uma das principais causas da demora foi a falta de dinheiro e apoio à ciência no Brasil.

"Apenas quando tivemos que financiar uma pesquisa contínua é que pudemos fazer essa preparação. Também não é um material fácil de manusear. Por último, temos que lembrar que paleontologia não é só feita no Rio", explicou Kellner.

A tecnologia também ajudou a desvendar os segredos do maior dinossauro brasileiro. Um aparelho de tomografia foi usado para analisar o material encontrado, para estudar a parte interna dos ossos. O estudo revelou características novas para os titanossauros, como anéis de crescimento intercalados com um tecido ósseo mais denso, cujo significado ainda não foi compreendido completamente pelos pesquisadores.

Para que o material ainda tivesse condições de estudo mais de 50 anos depois, o cuidado foi fundamental para preservar os ossos. Eles ficaram em prateleiras de madeira, com temperatura ambiente controlada e a retirada cuidadosa de todos os sedimentos de terra e rocha.

No Brasil, já foram descobertas nove espécies de titanossauros. Antes da descoberta, o maior era o Maxakalisaurus topai, com mais de 13 metros de comprimento.

"Essa espécie entra para o hall das espécies brasileiras e mostra que temos um gigante", destacou Camila Bandeira, aluna do doutorado do Museu Nacional/ UFRJ e que participou da pesquisa.

De acordo com o diretor do Museu de Ciências da Terra, o Brasil ainda pode descobrir parte de seu passado e até espécies que podem rivalizar em tamanho com o dinossauro anunciado nesta quarta (5).

"A região central do Brasil é riquíssima e com certeza possui muitas descobertas a fazer", revelou Diógenes Campos.

O estudo é um esforço conjunto de pesquisadores do Museu de Ciências da Terra, do Museu Nacional/UFRJ, da Petrobras, e da Universidade Federal de Pernambuco. O estudo foi financiado pela Faperj e pelo CNPq.

"A importância é mostrar que levando em consideração as descobertas da Argentina, em algum momento tivemos uma fauna em comum. Isso ajuda a definir quem foi para onde e como a área se desenvolveu até hoje", contou Kellner.

Pesquisadores anunciaram a descoberta do fóssil nesta quarta-feira (5) (Foto: Cristina Boeckel / G1)

Descoberta do fóssil foi anunciada no Museu de Ciências da Terra, na Urca, Zona Sul do Rio (Foto: Cristina Boeckel / G1)
Fóssil foi encontrado em Presidente Prudente, no interior do estado de São Paulo. (Foto: Cristina Boeckel / G1)

Animal pode ser classificado no grupo dos titanossauros (Foto: Cristina Boeckel / G1)


Fóssil será exposto no Museu de Ciências da Terra (Foto: Cristina Boeckel / G1)
Fonte: G1

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Pesquisadores encontram uma das maiores pegadas de dinossauro

A pegada foi descoberta no Deserto de Gobi, na Mongólia. Pesquisadores acreditam um dinossauro da espécie Titanossauro seja o dono.

A pegada, na foto, tem 106 centímetros de comprimento e 77 de largura. (Okayama University of Science/Divulgação)
 
Uma equipe de especialistas mongóis e japoneses revelou nesta sexta-feira a descoberta de uma das maiores pegadas de dinossauro do mundo, com 106 centímetros de comprimento e 77 de largura.

Paleontólogos da Universidade de Okayama, do Japão, e da Academia de Ciências, da Mongólia, encontraram o vestígio em agosto deste ano, mas optaram por esperar os resultados das pesquisas que confirmava a autenticidade da pegada e a espécie à qual pertenceu.

De acordo com a Montsame, agência de notícias da Mongólia, o grupo de pesquisadores acredita que o dono da pegada é um Titanossauro. Os dinossauros dessa espécie tinham um longo pescoço, eram herbívoros e viveram no período Cretáceo.

O animal, de cerca de 30 metros de comprimento e 20 de altura, possivelmente deixou a pegada de uma de suas patas esquerdas em um solo que depois, com a desertificação da zona, ficou recheada de areia, o que ajudou na sua conservação. Os estudiosos encontraram a pegada em uma camada geológica de entre 70 e 90 milhões de anos, afirmou a agência mongol.

“É uma descoberta muito especial, já que se trata de uma pegada fossilizada muito bem conservada, de mais de um metro de comprimento e sinais das garras”, afirmou um comunicado da Universidade de Ciências de Okayama.

(Com Agência EFE)

Fonte: Veja

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Coloridos e com cara de pássaro: assim eram os dinossauros

Cientistas britânicos divulgaram a representação mais realista já feita de um dinossauro, com base em fósseis encontrados na China
 
Representação do Psitacosauro, que ajuda a compreender como a pele colorida ajudava o animal a se esconder nas florestas do período Cretáceo (entre 145 milhões e 65 milhões de anos atrás) (Bob Nicholls/Paleocreations.com 2015)

A cara é como a de um papagaio, mas o porte é de um grande peru. Dois chifres rodeiam o crânio e a pele rosada é lisa e coberta por pintas marrom escuro. Divulgada na última semana, a recriação do Psitacosauro (que ganhou o apelido de “lagarto-papagaio”) é a representação mais fiel de um dinossauro já feita pelos cientistas. O modelo em 3D, descrito na última edição da revista científica Current Biology, foi feito com base em fósseis extremamente preservados, encontrados na China, que ainda guardavam vestígios dos pigmentos dos animais. Segundo os pesquisadores, o modelo ajuda a compreender como a pele colorida ajudava dinossauro a se esconder dos predadores nas florestas do período Cretáceo (entre 145 milhões e 65 milhões de anos atrás), em que vivia.

“Ficamos impressionados ao ver como os padrões de cores da pele funcionavam como uma camuflagem para o pequeno dinossauro”, explicou o paleontólogo Jakob Vinther, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, um dos autores do estudo, em comunicado.

Dinossauro colorido

Para reproduzir o corpo e as cores que cobriam a pele do animal, os pesquisadores examinaram os fósseis com lasers que ressaltavam os vestígios de pigmentos. Em seguida, observaram as estruturas que armazenavam os pigmentos em células e tecidos em microscópios eletrônicos. O esqueleto e a musculatura do Psitacosauro foram medidos e analisados pelos cientistas e, com o desenho pronto, o paleoartista Robert Nicholls fez o modelo e reproduziu o animal em tamanho natural.


Modelo fotografado no Jardim Botânico de Bristol, na Inglaterra (Jakob Vinther/University of Bristol/Divulgação)

Em seguida, o boneco foi fotografado no Jardim Botânico de Bristol, para que os pesquisadores conseguissem visualizar como as cores da pele poderiam funcionar para camuflar o dinossauro.

“Foi um processo longo e doloroso, mas agora temos a melhor sugestão de como um dinossauro realmente vivia”, afirmou Nicholls.

Em estudos posteriores, os cientistas pretendem explorar outros tipos de camuflagem existentes nos registros fósseis (como as penas coloridas) e usá-las para compreender a relação entre os predadores, suas presas e o ambiente do período dos dinossauros. Essas pistas podem ajudar a revelar como se deu a evolução da biodiversidade até os dias atuais.

Fonte: Veja

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Monstro marinho do Jurássico sai do anonimato

© Fornecido por AFP Ilustração divulgada pela Universidade de Edimburgo

O monstro marinho do Loch Storr (Lago Storr), de quatro metros de comprimento, que viveu há 170 milhões de anos, saiu do anonimato no museu nacional da Escócia, meio século depois de sua descoberta.

O fóssil desta criatura do Jurássico com ventre volumoso, olhos esbugalhados e uma cabeça com um grande bico dotado de centenas de dentes, foi descoberto em 1966 na ilha escocesa de Sky pelo diretor de uma fábrica elétrica vizinha.

No entanto, "durante meio século o museu o manteve resguardado porque não possuíamos as técnicas necessárias para soltá-lo da imensa rocha que o envolvia e, assim, poder estudá-lo", explicou à AFP Steve Brusatte da Universidade de Edimburgo.

Assunto resolvido: Nigel Larkin, especialista restaurador de fósseis, liberou o monstro da rocha na qual estava preso há milhões de anos.

Uma vez despojado de sua envoltura rochosa, os paleontólogos Steve Brusatte, Nick Fraser e Stig Walsh, do museu escocês, o identificaram como um ictiossauro, família de répteis marinhos extinta desde então.

Conseguiram reconstruir uma imagem clara da enorme criatura, apresentada por eles como uma "joia da coroa da pré-história escocesa".

O feroz predador, digno de um filme de terror, nadava nos oceanos do planeta há 170 milhões de anos, na época em que os dinossauros dominavam o mundo.

"As pessoas estão obcecadas com o mito do Loch Ness (Lago Ness) que é totalmente falso. Mas não se dão conta de que existiram verdadeiros monstros marinhos", explica Steve Brusatte.

Segundo o paleontólogo, "eram maiores, mais horripilantes e mais fascinantes que Nessie", como os escoceses chamam o monstro imaginário.

Os ictiossauros desapareceram bruscamente dos oceanos dezenas de milhares de anos antes dos últimos dinossauros.

Fonte: MSN

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Conheça Sousatitan, o mais novo dinossauro brasileiro

É o primeiro a ser identificado por meio de uma ossada encontrada em Sousa, na Paraíba
Por Marina Rappa, Rita Loiola 


O novo dinossauro era pequeno: não devia ultrapassar os 3 metros de altura e 11 metros de comprimento. (Marcos Paulo Pereira/Divulgação)
 
Cerca de 136 milhões de anos atrás, um pequeno dinossauro de longo pescoço habitava a região de Sousa, na Paraíba. Em comparação a seu grupo, o dos titanossauros, que podem atingir até 20 metros de altura, ele era baixo: não devia ultrapassar os 3 metros de altura e 11 metros de comprimento. Na época, Sousa era mais quente que hoje, mas a região era repleta de pinheiros e araucárias ao redor de lagoas e de um grande rio que a cortava. O pequeno dinossauro, que recebeu o nome provisório de Sousatitan (“Sousa”, em homenagem à região e “titan”, de titanossauro) era herbívoro e alimentava-se da vasta vegetação da época.

De acordo com o estudo com a descrição desse novo dinossauro brasileiro, publicado na última edição da revista científica Cretaceous Research, ele é o mais antigo exemplar do período cretáceo (última etapa da chamada era dos dinossauros, compreendida entre 145 e 65,5 milhões de anos atrás) – e um dos exemplares de titanosauro mais antigos encontrados no mundo.

“O estudo dos dinossauros de Sousa nos ajuda a compreender a evolução dos grupos de animais que viriam a dominar o planeta durante o período cretáceo”, afirmou ao site de VEJA a paleontóloga Aline Ghilardi, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), líder dos estudos.

Osso de dinossauro

Ele foi o primeiro da região a ser identificado por meio de uma ossada, uma fíbula (parte da perna) encontrada em Sousa, que fica a 438 quilômetros de João Pessoa, e conhecida por abrigar diversos fósseis de dinossauros. As análises comparativas com o osso de aproximadamente 50 centímetros revelaram que ele pertencia a um dinossauro jovem, de uma espécie inédita.

“Anteriormente, apenas pegadas de dinossauro eram conhecidas em Sousa. Por meio delas, é possível reconhecer de forma grosseira quais os grupos de animais responsáveis por produzi-las, embora não se possa ter certeza de sua identidade. Com o osso encontrado, pela primeira vez temos uma evidência direta de uma das espécies de dinossauro que habitaram Sousa no início do cretáceo. Pensando como um trabalho de detetive, é como se ele tivesse deixado cair o RG”, disse Aline.

O fóssil foi descoberto pelos atentos olhos de Luiz Carlos da Silva Gomes, bancário aposentado que tem o hobby de procurar por vestígios dos animais gigantes. Ao observar uma rocha, Gomes percebeu algo diferente e resolveu fotografá-la. A imagem foi compartilhada nas redes sociais e chegou a um dos paleontólogos da equipe, que buscava na internet artigos acadêmicos sobre o sítio de Sousa. Imaginando que o osso poderia pertencer a um dinossauro inédito, a equipe entrou em contato com Gomes e iniciou as análises do achado.

“A parceria entre moradores locais e paleontólogos é muito importante. São eles que todo dia estão em contato com as rochas onde estão os fósseis. O senhor Luiz, morador responsável pela descoberta do osso do dinossauro, acompanhou todo o processo de resgate do osso. Essa parceria só beneficia a ciência”, disse Ghilardi.

Novos estudos

Após devolverem o osso para Sousa (para ser exposto no museu do Vale dos Dinossauros), os especialistas buscam agora por novas evidências na região – o que é fundamental para a descrição completa do animal e também para nomeá-lo oficialmente.

Segundo os pesquisadores, a descoberta é mais uma peça do quebra-cabeça na história do desenvolvimento e morte dos animais que habitaram a Terra e sumiram há 65 milhões de anos.

“Pouco se conhece sobre os dinossauros do início do cretáceo do Brasil e, até então, quase nada se sabia sobre os dinossauros de Sousa. Essa descoberta preenche uma lacuna no nosso conhecimento sobre esses animais e, além disso, revela detalhes sobre a porção central de Gondwana (antigo supercontinente que reunia América do Sul, África, Antártica, Austrália e Índia)”, afirmou Ghilardi.

Confira os detalhes da descoberta no vídeo abaixo, disponibilizado por Aline Ghilardi:

 

Fonte: Veja

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Asteroide matou dinossauros espalhando fuligem pela Terra

Novo estudo sugere que queda de asteroide em uma reserva de petróleo, há 66 milhões de anos, lançou imensa nuvem de fuligem pelo planeta, barrando luz solar


Sem a luz do Sol, diversas espécies foram extintas, como os dinossauros (Foto: Koji Sasahara/AP Photo/VEJA)
 
A extinção dos dinossauros, há aproximadamente 66 milhões de anos, foi causada pela queda de um grande asteroide que acertou uma reserva de petróleo no México e espalhou uma imensa nuvem de fuligem pelo globo. Segundo um novo estudo, publicado nesta quinta-feira no periódico Scientific Reports, essa explicação para os acontecimentos que sucederam a queda do asteroide solucionaria um mistério deixado pelas outras teorias – como, afinal, algumas espécies aquáticas e o grupo crocodilia, conseguiu sobreviver. Além disso, a hipótese sugere quais podem ser as prováveis consequências do acúmulo de grandes quantidades de fuligem na atmosfera.

A hipótese mais conhecida para a extinção dos dinossauros é que um imenso asteroide caiu na Península de Yucatán, no México, originando a cratera de Chicxulub. No entanto, não se sabe ao certo o que aconteceu após o impacto. Uma das teorias mais aceitas conta que a queda da gigantesca rocha causou a liberação de enxofre e de nuvens de ácido sulfúrico que cobriram o globo e se precipitaram em longas chuvas ácidas. Barrando a entrada de luz solar, as nuvens tornaram o ambiente escuro, o que impediu a fotossíntese e levou a uma abrupta diminuição da temperatura. Contudo, nesse cenário, qualquer tipo de vida teria morrido. E algumas espécies aquáticas e o grupo dos crocodilia – que hoje inclui jacarés e crocodilos, mas, na época, era formado de grandes animais – sobreviveu.

Para oferecer uma alternativa a essa teoria, o grupo de pesquisadores liderado pelo cientista Kunio Kaiho, da Universidade Tohoku, no Japão, examinou alguns hidrocarbonetos (moléculas de carbono e hidrogênio também presentes na fuligem) de sedimentos datados de 66 milhões de anos, extraídos do Haiti (perto, portanto, do impacto) e da Espanha (longe da área da queda). Assim como os fósseis são rastros dos dinossauros, esses hidrocarbonetos poderia ser vestígios da nuvem de fuligem que poderia ter extinto os animais.

Reunindo a análise das moléculas a modelos climáticos que reproduzem o cenário da época, os cientistas perceberam que a queda do asteroide, atingindo uma grande reserva de petróleo, poderia ter causado uma imensa nuvem de fuligem que, por sua vez, teria migrado para a estratosfera e bloqueado a luz de todo o planeta.

A análise também mostrou que as condições climáticas teriam sido diferentes nas regiões próximas e nas distantes da linha do Equador. Nas áreas perto dos polos, a seca e frio intenso teriam extinto todas as espécies. Mas, nos locais ao redor do Equador, a seca teria sido acompanhada por um resfriamento mais suave. Essas condições teriam matado os dinossauros que viviam sobre a superfície, pois os grandes herbívoros ficariam sem os vegetais que morreriam com a seca e os grandes carnívoros não teriam suas presas. Contudo, condições assim permitiriam a sobrevivência de animais capazes de se alimentar de espécies aquáticas, como os membros do grupo crocodilia.
Projeções

Para alguns especialistas, a análise é sofisticada o suficiente para explicar não só as condições após o impacto do asteroide como a sobrevivência de algumas espécies. Ela também pode ser vista como uma projeção, ao explicar em detalhes o que uma grande quantidade de fuligem acumulada nos céus pode causar.

“O que esse estudo mostra é que jogar muita fuligem na atmosfera pode causar uma rápida mudança climática, em alguns anos”, afirmou o cientista Stephen Brusatte, da Universidade Edinburgh, na Escócia, ao site do britânico The Guardian.

Fonte: Veja

terça-feira, 12 de julho de 2016

A verdadeira voz dos dinossauros

Segundo novo estudo, a “voz” dos dinossauros não era um rugido e devia estar mais próxima dos sons emitidos por pombas e avestruzes


'T-rex': além de ter penas, o dinossauro provavelmente emitia sons como os de algumas aves modernas (iStockphoto/Getty Images)
 
Ao contrário do que os filmes mostram, os dinossauros, mesmo os mais assustadores como o T. rex, provavelmente jamais rugiram. O mais provável é que emitissem sons como o das pombas, rolinhas ou avestruzes: um arrulho. Em um estudo publicado nesta terça-feira no periódico científico Evolution, uma equipe de cientistas americanos e canadenses levanta a possibilidade de que os sons de alguns pássaros modernos, como arrulhos ou chilros, tenham sua origem em vocalizações de seus ancestrais – os dinossauros.

“Para se ter alguma ideia de como a ‘voz’ dos dinossauros devia ser, é preciso compreender como se dá a vocalização das aves modernas. É muito diferente do que aparece no Parque dos Dinossauros”, afirmou Julia Clarke, professora da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, e uma das autoras do estudo, em um comunicado. “Os dinossauros não apenas tinham plumas como também deviam ter pescoços grossos e faziam sons altos, com a boca fechada.”

Som com o bico fechado

Estudos recentes revelam que os dinossauros não somente tinham penas – principalmente os carnívoros – como também possuíam rituais de acasalamento muito parecidos com os das aves modernas. O objetivo dos pesquisadores era descobrir a origem dos sons que alguns pássaros emitem, principalmente, durante o período de busca de um parceiro – ruídos altos feitos com o bico fechado e produzidos na área do pescoço. O som é similar ao que fazem pombas ou avestruzes no período de acasalamento. Analisando a morfologia de diversas espécies, os pesquisadores descobriram que esses sons estavam presentes, provavelmente, em muitas espécies de dinossauro que não voavam.

“Verificar a distribuição desses sons emitidos com o bico fechado nas aves que vivem hoje nos trouxe pistas para descobrir como era a vocalização dos dinossauros”, afirmou o pesquisador Chad Eliason, da Universidade do Texas. “Nossos resultados mostram que essas vocalizações evoluíram pelo menos dezesseis vezes no Archosauria, um grupo que incluía aves, dinossauros e crocodilos. O que é interessante é que apenas animais com o corpo relativamente grande (do tamanho de uma pomba ou maior) têm esse comportamento.”

Os pesquisadores deixam claro, no entanto, que essa seria apenas uma entre as possíveis “vozes” dos dinossauros. Aos poucos, os cientistas têm descoberto que eles eram capazes de emitir diversos sons com a garganta, o pescoço e os pulmões – partes do corpo que, ao contrário dos ossos, não ficam registradas em fósseis. O som exato de um dinossauro talvez jamais possa ser desvendado; contudo, cada vez mais, a ciência traz indícios de que observar e escutar as grandes aves de hoje pode nos deixar mais próximos de decifrar esse passado.

Fonte: Veja