terça-feira, 12 de novembro de 2013

Crocodilo gigante devora cabeça de porco em parque das Filipinas

“Too Long” (muito longo) é um crocodilo de 4,9 metros de comprimento que tem uma fome proporcional ao seu tamanho. Nesta quarta-feira, o animal de água salgada devorou uma cabeça de porco de 6,5 quilos num parque de crocodilos de Pasay, nas Filipinas.
A refeição exagerada aconteceu durante o horário de alimentação de Too Long. De acordo com um porta-voz do parque, ele é o maior crocodilo da região metropolitana de Manila, a capital filipina.




Fonte: Extra Globo

Gerente flagra crocodilo mordendo tromba de elefante na África

Cena ocorreu no Parque Nacional de South Luangwa, em Zâmbia.
Após lutar, elefante conseguiu se soltar e, em seguida, fugiu com manada.

Gerente flagra crocodilo mordendo tromba de elefante na África
Cena ocorreu no Parque Nacional de South Luangwa, em Zâmbia.
Após lutar, elefante conseguiu se soltar e, em seguida, fugiu com manada.

O gerente de um alojamento flagrou o exato momento em que um crocodilo abocanhou a tromba de um elefante quando o paquiderme tomava água em um rio no Parque Nacional de South Luangwa, em Zâmbia. A cena foi registrada por Ian Salisbury.

Ian Salisbury flagrou momento em que crocodilo abocanhou tromba de elefante (Foto: Ian Salisbury/Caters News Agency)

Salisbury, de 62 anos, disse que registrou o duelo épico logo após um cliente ver um crocodilo tentando um ataque similar em outro elefante. Segundo ele, o ataque foi muito rápido, durou menos de dois segundos.
Ele destacou que teve a "sorte" de estar apontando a câmera na direção e hora certas. "Tendo passado a maior parte dos últimos 30 anos na África, eu percebo o quão sortudo eu fui, não só ao ver algo que nunca havia visto, mas também registrar com a câmera", contou Ian.
Após lutar, o elefante conseguiu se soltar do ataque do réptil e, em seguida, fugiu com o restante da manada. "Ele literalmente gritou muito alto e sacudiu o crocodilo", concluiu Salisbury.

Fonte: G1

domingo, 10 de novembro de 2013

Crocodilo canibal devora ‘amigo’ após caça mal sucedida em rio australiano

Um crocodilo de dois metros de comprimento, chamado Eric, foi flagrado devorando um outro crocodilo bem menor no Rio Daintree, em Queensland, na Austrália.
Eric estava caçando camarões e peixes pequenos, mas sem sucesso na busca, partiu para cima de outro um crocodilo. Em vez de ignorar o colega, Eric o matou e devorou, começando pela cabeça, em um raro espetáculo de canibalismo.

Mesmo sendo pequeno, o crocodilo devorado era grande para a boca de Eric, que preferiu nadar e terminar a refeição longe dos olhares dos curiosos.
- Dias depois, ele estava com um barrigão. Eu trabalho no rio Daintree há 15 anos e essa é apenas a terceira vez que vejo algo assim acontecer - disse o condutor de barcos de passeio David White, que fez as imagens do momento de canibalismo.




Fonte: Extra Globo

No AM, tartaruga albina 'comemora' aniversário em centro de quelônios

Camila Henriques e Marina Souza

'Nevina' tem seis anos de idade e vive em Balbina, próximo a Manaus.
Durante visita, G1 também acompanhou nascimento de tracajás.

Tartaruga albina tem seis anos de idade e nasceu nas proximidades do Rio Uatumã (Foto: Camila Henriques/G1 AM)

Em Balbina, distrito de Presidente Figueiredo, município a 117 km de Manaus, uma espécie de tartaruga-da-Amazônia chama a atenção pela falta de pigmentação no corpo. Batizada de Nevina - uma junção de neve com Balbina - a fêmea é a única tartaruga albina em cativeiro no Amazonas, segundo o engenheiro-agrônomo e especialista em animais silvestres, Paulo Henrique Oliveira. Em novembro, Nevina celebra idade nova no Centro de Proteção e Pesquisa de Quelônios Aquáticos (CPPQA).

A tartaruga-da-Amazônia, cujo nome científico é Podocnemis expansa, vive no CPPQA, que pertence ao complexo da Hidrelétrica de Balbina, administrado pela Eletrobrás Amazonas Energia. Paulo Oliveira conta que o animal nasceu em uma praia artificial próxima à barragem do Rio Uatumã. "Entre 88 filhotes, ela foi a única albina. Essa tartaruga completa seis anos neste mês de novembro", disse.
O engenheiro-agrônomo explica que Nevina é saudável, apesar de sofrer com as condições do clima no Amazonas. "É um animal de sangue frio, que só executa as suas atividades quando o sol está bem quente. Ela sente mais os efeitos do tempo aqui. Quando chove, ela precisa ficar mais tempo na água", exemplifica.

Tartaruga albina foi batizada de Nevina, uma junção de neve com Balbina (Foto: Camila Henriques/G1 AM) 

O pesquisador afirma que a tartaruga albina é mais visível aos predadores e, caso vivesse em um ambiente natural, teria mais dificuldades para caçar. Paulo Henrique também garante que a condição do animal não deve impedir a reprodução da espécie. "Como é um gene recessivo, precisamos de alguns cuidados. Se uma tartaruga assim cruza com uma normal, a chance de os filhotes nascerem albinos é de 25%. Como ela só tem seis anos e a reprodução começa a partir dos 12, ainda tem muito tempo para se preparar", explicou Paulo Henrique Oliveira.

Albinismo

O albinisno é uma condição caracterizada pela ausência de melanina, classe de compostos poliméricos cuja principal função é a pigmentação e protecção contra a radiação solar.
De acordo com o pós-doutor em quelônios e répteis e pesquisador titular do Instituto  Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Richard Carl Vogt, a probabilidade de uma tartaruga nascer com albinismo é de uma em 2 milhões. No entanto, como a Amazônia ainda registra uma grande população - em constante crescimento - da espécie, a ocorrência já não é considerada tão rara. "Soltamos, na região do Trombetas, cerca de 3 milhões de filhotes por ano. Assim as tartarugas albinas deixem de ser tão raras. Todo ano vemos pelo menos uma", explicou.
O pesquisador, que já atuou no Instituto de Biologia da Universidad Nacional Autonoma de Mexico, afirmou ainda que em quase 20 anos de estudos no México viu somente dois casos parecidos com o de Nevina no país, confirmando a teoria da maior incidência na Amazônia.
O albinismo pode ocorrer em qualquer espécie animal, segundo Vogt, mas o sistema reprodutivo da tartaruga-da-Amazônia favorece esta condição. "Estes animais albinos nascem quando machos cruzam com irmãs, tias ou mães. Isto acaba se tornando mais comum entre as tartarugas-da-Amazônia porque cada ninho é fertilizado por cinco a oito machos. No rio Trombetas, 95% dos filhotes são fêmeas. Os machos costumam viver de 50 a 100 anos, então eles reproduzem muitas vezes. Sendo assim, acabam fertilizando suas irmãs e é mais provável encontrar uma tartaruga albina do que um peixe-boi albino, por exemplo", completou.
Pesquisando répteis e quelônios na Amazônia há 25 anos, Vogt destacou que já verificou albinismo também em outros animais. Outros em que a característica genética ocorre com frequência não tão rara são jiboias e muçuãs, uma outra espécie de tartaruga encontrada na região.

Nascimento de tracajás

Durante visita ao CPPQA em Balbina, o G1 registrou o "nascimento" de dois filhotes de tracajás, na praia artificial construída para a desova da espécie no local. "Agora estamos em um período de reprodução, que começa em agosto e vai até novembro. Nessa época, os agentes vão nas nossas praias artificiais por volta das 5h30 todos os dias fazer o monitoramento", afirma o engenheiro-agrônomo.
Atualmente, o criadouro do Centro de Quelônios conta com 130 tartarugas-da-Amazônia, 100 tracajás e 35 jabutis. Trabalhando no local há sete anos, Paulo Henrique Oliveira destaca ainda o trabalho feito com oito comunidades de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) no Rio Uatumã. "Todos os anos soltamos pelo menos 20 mil animais. A gente conserva as tartarugas no Rio Uatumã com o envolvimento comunitário. Aliamos o trabalho técnico ao social. Quando vamos fazer a soltura desses animais, convidamos toda a comunidade a participar desse momento", finaliza.

Em Balbina, G1 registrou o nascimento de filhote de tracajá (Foto: Camila Henriques/G1 AM)

Fonte: G1

sábado, 9 de novembro de 2013

Jacaré que perdeu a cauda em briga ganha prótese de borracha

Um jacaré de dois metros de comprimento ganhou uma prótese de cauda para substituir o rabo, perdido ainda na juventude durante uma briga com outro jacaré. Mister Stubbs, como o animal de 11 anos é chamado, é tratado desde 2005 pela Sociedade Herpetológica de Phoenix, nos Estados Unidos.
A prótese é feita de borracha e foi moldada a partir do cadáver de um jacaré que tinha aproximadamente o mesmo tamanho de Mister Stubbs. A cauda artificial se prende ao corpo do animal por meio de fitas de náilon.
Mister Stubbs chegou à Sociedade Herpetológica de Phoenix após ser encontrado pela polícia com outros 31 jacarés em um carregamento ilegal de animais exóticos.
Curiosamente, o animal aprendeu a nadar em uma piscina com a ajuda de um cachorrinho remador. A prótese de cauda, embora ainda deixe o jacaré um pouco desajeitado, deve ajudá-lo a aperfeiçoar o nado.
- Ele terá uma vida longa e feliz - disse o presidente da Sociedade Herpetológica de Phoenix, Russ Johnson.



Fonte: Extra Globo

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Crocodilo gigante de 4,5 metros de comprimento é capturado na Austrália

Um crocodilo gigante, de 4,5 metros de comprimento, foi capturado e baleado pela polícia da pequena vila de Palumpa, na Austrália. Segundo moradores do local, o animal vivia à espreita na Reserva do Rio Daly há cerca de dois anos, ameaçando crianças que tentavam atravessar um ponte para ir à escola.
O guarda-florestal Tommy Nichols contou que a polícia armou uma armadilha e atirou no crocodilo gigante nos arredores do rio. O animal é o segundo exemplar com mais de quatro metros capturado em Palumpa em apenas uma semana.
- Nós tivemos um relato que havia um grande crocodilo ameaçando crianças - disse Nichols, confirmando as denúncias dos moradores da vila australiana.
O outro crocodilo foi capturado após relatos de que ele tinha atacado um cavalo.
As informações são do site ABC News.




Fonte: Extra Globo

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Pterossauros caminhavam nas quatro patas, aponta estudo

Por AFP

Pegadas de pterossauros ranforrincos, subordem dos répteis voadores, encontradas recentemente no sudoeste da França, provam que estes animais que viveram, em média, há 200 milhões de anos, caminhavam nas quatro patas

Toulouse - Pegadas de pterossauros ranforrincos, subordem dos répteis voadores, encontradas recentemente no sudoeste da França, provam que estes animais que viveram, em média, há 200 milhões de anos, caminhavam nas quatro patas, revelaram cientistas franceses.

Estudos realizados desde 1993 por uma equipe do Centro Nacional de Pesquisas Científicas francês (CNRS)no mesmo local já tinham demonstrado que uma outra subordem dos pterossauros, os pterodáctilos, também caminhava em quatro patas.

Mas a questão permanecia em aberto no que diz respeito aos ranforrincos.

"Nós encontramos pela primeira vez marcas de locomoção no solo\" destes répteis, o que prova que eles eram quadrúpedes e não bípedes que caminhavam nas patas traseiras", declarou à AFP Jean-Michel Mazin, diretor de pesquisas do CNRS na Universidade Claude-Bernard, em Lyon (centro-leste da França).

Os pterossauros ranforrincos viveram no Triásico Médio, entre 230 e 130 milhões de anos atrás, enquanto os pterossauros pterodáctilos eram mais modernos e desapareceram na mesma época dos dinossauros.

O sítio de Crayssac, denominado "praia dos pterossauros", se encontrava nesta época no interior de um vasto golfo aberto para o Atlântico, entre Bordeaux e a ilha de Oleron.

A região lembra uma imensa lagoa marinha e a "praia" foi, ela própria, um pântano litorâneo, inundado na maré alta, onde os animais se alimentavam.

Os escavadores - de 30 a 40 a cada verão - contabilizaram milhares de pegadas pertencentes a mais de cinquenta espécies animais (crocodilos, tartarugas, crustáceos, etc.), alguns dos quais desconhecidos até agora, que viveram durante o período Jurássico.

Fonte: AFP

sábado, 2 de novembro de 2013

Uma nova cara para os dinossauros

Guilherme Rosa

A velha imagem de lagartos monstruosos está ficando ultrapassada. Em um novo livro, pesquisadores propõem que os dinossauros também poderiam ser extravagantes, coloridos, brincalhões e até fofos

Ovelha ou dinossauro: em uma série de ilustrações, os pesquisadores propõem a aposentadoria da desgastada imagem ameaçadora e lembram que até mesmo as feras pré-históricas podem ser amáveis (John Conway)

Os dinossauros costumam ser retratados como monstros aterrorizantes. As imagens conhecidas mostram lagartos gigantescos, de garras e presas enormes, em constante batalha pela sobrevivência. Os famosos Tiranossauros Rex e Velociraptores aparecem — em filmes, séries, livros, documentários e museus — como predadores implacáveis. O próprio nome dinossauro, cunhado em 1842 a partir de palavras gregas, significa lagarto terrível. Mas o livro All Yesterdays (Todos os Passados, sem versão em português), escrito pelo paleontólogo britânico Darren Naish, da Universidade de Southampton, e pelos artistas gráficos Mehmet Cevdet Koseman e John Conway, propõe a superação dessa ideia. Os autores defendem que os dinossauros poderiam ter visuais e comportamentos muito mais variados, parecidos com os dos animais de hoje - com sua enorme gama de cores, pelagens e plumagens.

Não existe nenhum modo de saber com absoluta certeza como eram os dinossauros. Todas as informações que existem sobre sua aparência vêm de fósseis com mais de 65 milhões de anos, deteriorados pela ação do tempo. A maioria dos registros fósseis permite decifrar a estrutura do esqueleto, mas nada diz sobre a pele, a gordura e os músculos desses animais. As baleias, por exemplo, possuem camadas imensas de gordura, que seriam difíceis de intuir para quem olhasse apenas para suas ossadas.Como apenas os ossos são conhecidos, as ilustrações acabam se baseando demais nessa característica, ignorando todos as outras características. "Os dinossauros parecem ser feitos apenas de pele e osso. Eles são desenhados muito magros, como se estivessem doentes. Mas os animais têm outros tecidos, como músculos e gordura ao redor do esqueleto", diz C. M. Koseman em entrevista ao site de VEJA. 

O primeiro golpe na concepção visual clássica dos dinossauros veio nos anos 2000, quando novos fósseis deram suporte a teorias que propunham que a maioria deles era coberta por penas. Eles deixaram de ser vistos como lagartos, e passaram a ser comparados às aves. A transformação proposta em All Yesterdays, no entanto, é mais radical. "Apesar de todas as novas informações e teorias, achamos que ainda estamos desenhando os animais de forma errada", diz Koseman. As penas seriam apenas o sinal de que existe muito mais a ser descoberto. Assim, os autores fazem um chamado à especulação — não sobre o futuro, mas o passado da Terra.



Arte e ciência — Desde o século 19, a imagem que o público e os cientistas têm dos dinossauros foi moldada pelos paleoartistas: artistas que se dedicam ao desenho de temas relacionados à paleontologia. Todas as representações desses animais, do seriado Família Dinossauro ao filme Jurassic Park, se embasam em suas ilustrações. "Nosso trabalho é, basicamente, reconstruir animais extintos", afirma Koseman.

A maioria dos paleoartistas não possui  formação na área da paleontologia. É o caso de Koseman e John Conway, que ilustram o livro All Yesterdays. Mesmo assim, eles trabalham em parceria tão próxima e por tanto tempo com os paleontólogos, que se tornam especialistas na área e chegam a servir de referência para estudos científicos.

Segundo os envolvidos, reconstruir um dinossauro é um trabalho cientificamente rigoroso, que envolve estudos de anatomia e fisiologia. Para desenhar o corpo, os artistas precisam analisar o esqueleto, o tamanho e a posição de cada osso. A partir da comparação com animais mais modernos, eles podem deduzir a localização dos músculos. "Nosso trabalho é feito a partir de uma equação que envolve arte e ciência, especulação e conhecimento", diz Koseman.

Todos os passados

Em um exercício de especulação, os artistas C. M. Koseman e John Conway ilustraram visões alternativas de como os dinossauros podem ter se parecido. Os comentários são de Koseman

"O Majungassauro tinha braços muito pequenos, ainda que bastante móveis. Nós especulamos que eles deveriam ser usados como ornamentos para o acasalamento"

"Por que o T-Rex sempre tem que aparecer como um caçador feroz, em fúria assassina? Para desafiar o estereótipo, John Conway desenhou o dinossauro dormindo depois de uma refeição pesada"

"O Therizinosauro foi um dinossauro com proporções muito esquisitas, e muitas das ilustrações contemporâneas destacam seus longos braços, garras e pernas curtas. No entanto, talvez todos esses detalhes anatômicos estavam escondidos debaixo de uma longa cobertura de penas?"

"Com essa ilustração de um dinossauro polar peludo, nós quisemos mostrar que os dinossauros também poderiam parecer fofos."

"O Microraptor, também conhecido como dinossauro de quatro asas, normalmente é desenhado como uma pequena criatura, parecida com um dragão, cujo esqueleto e penas lembram aqueles dos pássaros. Nós achamos que eles eram muito mais parecidos com as aves"

Apesar de todo o rigor, a imaginação é necessária por causa das imensas lacunas que existem no processo: os pesquisadores conhecem muito pouco sobre o tamanho dos músculos, a distribuição da gordura, a pele, a presença de penas, pelos e escamas e as cores dos dinossauros. Nas pranchetas dos artistas, em volta dos ossos vão se sobrepondo camadas sucessivas de especulação. Os resultados finais podem ser completamente diferentes — a depender da ousadia do desenhista. "Existem muitas maneiras de desenhar um mesmo esqueleto. Normalmente, os paleoartistas escolhem o jeito mais conservador possível", afirma.

Penas, "pelos" e cores – Os autores propõem que essas camadas de especulação sejam preenchidas de maneira mais imaginativa — até extravagante — pelos desenhistas. Isso deixaria os dinossauros mais parecidos com animais de hoje em dia.
Segundo o livro, novas descobertas fósseis mostram que a a maioria dos dinossauros menores, como os heterodontossauros, deviam viver em grupo e ter seu corpo inteiro coberto de penas coloridas — de visual tão variado que algumas se pareceriam com pelos. "Os maiores provavelmente não, pois, como os elefantes de hoje em dia, são muito grandes para precisar do isolamento térmico proporcionado por pelos e penas. Mesmo assim, poderiam ter características 'decorativas' no corpo, como as cristas nas cabeças dos galos ou cores chamativas na pele, para atrair parceiros no acasalamento", diz Koseman.

Outra mudança proposta diz respeito ao comportamento geralmente retratado nas ilustrações, que mostrar os animais em movimentação constante e violenta, fugindo ou caçando suas presas. "No filme Jurassic Park, por exemplo, os Velociraptores e Tiranossauros estão sempre atacando as pessoas, sem muito propósito. Sua função na narrativa é servir como obstáculos que o herói tem de superar para salvar o dia — como os dragões das lendas antigas", afirma o paleoartista (a semelhança não é coincidência: os primeiros mitos sobre dragões também surgiram a partir da descoberta de fósseis de dinossauros).

Ao olhar para os fósseis de um dinossauro, não há como saber o som que faziam, como se reproduziam, dormiam e brincavam. Mesmo assim, os pesquisadores dizem que essa é uma característica essencial para compreender a vida desses animais. Os leões, por exemplo, vão deixar registros de que são exímios predadores, mas será impossível conhecer seu ar majestoso e seus hábitos noturnos — características tão importantes quanto o fato de eles serem carnívoros. Assim como os predadores atuais, os pesquisadores dizem que os dinossauros também tinham uma vida fora das caçadas.

Ao combinar as mudanças de visual e comportamento, os autores propõem o último ataque à imagem de bestas monstruosas que os dinossauros adquiriram ao longo do tempo. Segundo o livro, eles poderiam até ser fofos. "Por que um dinossauro não pode ser bonitinho?", diz Koseman. Quando um esqueleto é descoberto, ele geralmente tem um visual aterrador, que não coincide necessariamente o do animal vivo. "Olhe para os bichos de hoje em dia, e olhe para seus esqueletos. A ossada de um gato dá a impressão que se trata de uma fera horrível. Mas o gato é um dos animais mais fofos do planeta."

Os pesquisadores reconhecem que, como qualquer especulação mais ousada, seu trabalho pode abrigar inúmeros erros. No futuro, novas descobertas podem mostrar que algumas das ilustrações estão completamente erradas, enquanto outras podem ser apenas reconstruções tímidas em face de uma realidade muito mais bizarra. "Algumas coisas sobre o passado nunca serão conhecidas por completo. Não devemos ter medo de especular", diz Koseman.

Todos os amanhãs

Para testar os limites de seus argumentos, os autores se envolveram em um exercício de especulação ainda mais audacioso: simularam o trabalho dos paleoartistas do futuro. Se baseando unicamente nos esqueletos dos animais de hoje em dia, eles mostraram que tipos de erro podem ser cometidos. Como resultado, chegaram a visões aterradoras de bichos comuns, mostrando que a mesma “injustiça” pode estar sendo cometida com os dinossauros. Os comentários das imagens são de C. M. Koseman.

"No final de nosso livro, procuramos mostrar os erros que os paleontólogos do futuro vão cometer quando se confrontarem com os fósseis dos animais que vivem hoje em dia. Por exemplo, eles podem reconstruir um gato como um predador mortal, sem pelos, gordura corporal ou lábios."

"A maioria dos artistas de dinossauros simplesmente adicionam uma simples camada de pele em cima dos esqueletos. Ao fazer isso, eles podem estar deixando de lado uma série de detalhes que não se fossilizam. Você conseguiria reconhecer esse monstro como um babuíno?"

"Essa é uma das minhas imagens favoritas de todo o livro. Como os paleontólogos do futuro iriam ver as aves se não fizessem ideia da existência de penas? Talvez suas longas asas seriam poderiam ser confundidas com ferramentas afiadas de caça."

"O crânio de um hipopótamo é um dos mais estranhos de todo o mundo animal. Os paleontólogos do futuro podem confundir ele com um perigoso predador"

"Nós desenhamos essa vaca sem nenhuma gordura ou músculos para criticar as reconstruções dos dinossauros feitas hoje em dia, que lembram zumbis"

Fonte: Veja