terça-feira, 19 de agosto de 2014

Cientistas gravam conversa de tartarugas 'falantes' no Pará

Cientistas registraram mais de 250 sons de tartarugas no Pará

Cientistas brasileiros conseguiram decifrar conversas de tartarugas "falantes" no Pará - inclusive o papo entre mães e filhotes recém-nascidos.

Gravações feitas no rio Trombetas indicam que, na época de fazer os ninhos, as tartarugas de rio trocam informações pela voz, comunicando-se com pelo menos seis sons diferentes.

Os pesquisadores da organização de conservação Wildlife Conservation Society (WCS) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) acreditam que algumas dessas conversas são as mães tartarugas ensinando os filhos a como chegar na água.

Como muitas espécies de tartarugas vivem por décadas, os pesquisadores também acham que jovens tartarugas aprendem estas habilidades de comunicação oral com indivíduos mais velhos.

Segundo eles, este é o primeiro registro de cuidado "materno" entre tartarugas, sugerindo que por isso os animais são vulneráveis aos efeitos da poluição sonora.

Os resultados foram publicados recentemente na revista científica Herpetologica.

Sons diferentes
As gravações indicam que os animais podem ter vidas sociais mais complexas do que se pensava.

A equipe de pesquisadores realizou o estudo no rio Trombetas entre 2009 e 2011. Eles usaram microfones e hidrofones subaquáticos para registrar mais de 250 sons individuais dos animais.

Os cientistas analisaram estes sons e os dividiram em seis tipos diferentes, relacionando cada categoria a um comportamento específico.

Por exemplo, havia um som específico quando os adultos estavam migrando pelo rio, e outro quando eles se reuniam em frente a praias onde fazem ninhos.

Outro som era emitido por adultos quando eles estavam esperando nas praias pela chegada de seus filhotes.

"Os significados [exatos] não são claros, mas elas estão trocando informações", disse à BBC Camila Ferrara, do WCS Brasil.

"Achamos que o som ajuda os animais a sincronizarem suas atividades na época de fazer ninhos."

Ferrara acredita que as fêmeas emitem sons específicos para orientar a filhotes a chegar água e também a se locomover pela água.

"As fêmeas esperam os filhotes", disse a estudiosa. "E sem esses sons eles podem não saber para onde ir."

Fonte: UOL

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Estudo revela que dinossauro primitivo era herbívoro do tamanho do peru

Ilustração mostra o Laquintasaura venezuelae: o ancestral de dinossauros
como o Tricerátopo era uma criatura similar às aves, dizem pesquisadores

O ancestral de dinossauros como o Tricerátopo era uma criatura similar às aves, com ancas largas e do tamanho de um peru, que viveu em rebanhos na América do Sul e gostava de mastigar samambaias, revelaram cientistas em estudo que será publicado nesta quarta-feira.

O "Laquintasaura venezuelae", que recebeu este nome devido ao país onde foi encontrado, viveu 201 milhões de anos atrás no início do período Jurássico, logo depois da grande extinção do final do Triássico, destacaram os pesquisadores em um artigo publicado no jornal Proceedings of the Royal Society B.

A história antiga dos dinossauros similares às aves, herbívoros com bico, denominados ornitísquios, do qual este lagarto recém-descoberto é um exemplar muito antigo, era apenas um esboço, e por isso muito poucos foram encontrados.

Os ornitísquios originaram os famosos Iguanodon, Estegossauro e Tricerátopo, que inspiraram brinquedos infantis e desenhos animados.

A descoberta dos restos de pelo menos quatro "Laquintasaura" na Venezuela demonstrou que os dinossauros retornaram rapidamente depois da extinção das espécies do período Triássico, afirmou o autor do estudo, Paul Barrett, paleontólogo do Museu de História Natural de Londres.

Também, "é fascinante e inesperado ver que viveram em rebanhos, algo do que tínhamos poucas evidências até agora nos dinossauros desta época", afirmou em um comunicado.

"O fato de que seja de um táxon completamente novo e remoto significa que podemos preencher algumas lacunas no nosso entendimento de quando os diferentes grupos de dinossauros evoluíram", acrescentou.

Os restos foram encontrados na formação geológica La Quinta, nos Andes Venezuelanos, uma região que se pensava ser anteriormente inóspita para os dinossauros.

A evidência de fósseis revelou que o Laquintasaura caminhou nas duas patas traseiras e que tinha cerca de um metro de comprimento da cabeça à cauda, e cerca de um quarto desta largura nos quadris.

Esta é a primeira espécie nova de dinossauro encontrada no norte da América do Sul.

A idade dos fósseis foi determinada com técnicas como a análise de radioatividade residual de minúsculos cristais contidos na rocha onde estavam os ossos.

Fonte: UOL