terça-feira, 7 de maio de 2019

Dinossauros da América do Sul: o gigante com crista de espinhos descoberto na Argentina

 Alejandra Martins

Da BBC News Mundo

Os espinhos de Bajadasaurus pronuspinax poderiam medir até 1,20 metros (Imagem: Jorge A. Gonzalez)

Ele media nove metros de comprimento e vivia no que hoje é a Patagônia argentina, há 140 milhões de anos.

Mas sua característica mais extraordinária era a crista cheia de espinhos enormes que se estendia do pescoço até o dorso.

A nova espécie de dinossauro foi encontrada na província de Neuquén, no norte da Patagônia, e foi chamada de Bajadasaurus pronuspinax.

O termo faz alusão à formação geológica em que foi encontrada, a Bajada Colorada, e aos longos espinhos inclinados para a frente que o caracterizam.

"Os espinhos neurais - como são chamados - são projeções de ossos que saem da parte superior das vértebras do pescoço", explicou à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, o paleontólogo Pablo Gallina, pesquisador da Fundação Felix de Azara da Universidade Maimonides em Buenos Aires e do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas da Argentina, o Conicet.

"Eles são espinhos muito alongados e, particularmente na Bajadasaurus, chegaram a um metro ou 1,20 m", acrescentou Gallina, principal autor do estudo publicado na revista Scientific Reports.

Que características esses espinhos tinham e que função cumpriam?

'Como chifres de antílope'

Os fósseis de Bajadasaurus foram encontrados em 2013 por pesquisadores da Fundação Félix de Azara e do Museu Paleontológico Ernesto Bachmann, em Villa El Chocón, em Neuquén.


Os espinhos ajudavam a assustar ou a afugentar os predadores, segundo Pablo Gallina
(Imagem por: Pablo Gallina)

Os Bajadasaurus pertenciam ao grupo dos dinossauros saurópodes, que eram herbívoros, quadrúpedes e caracterizados como de grande porte e com pescoço e cauda compridos.

Dentro desse grupo, eles estavam na família dos chamados dicreosáuridos, que se diferenciavam por seus grandes espinhos.

No caso dos Bajadasaurus, os espinhos estavam cobertos por um material que os reforçava.

"Nós entendemos que se tivessem sido formados somente por ossos e talvez em vida revestidos apenas por pele, seriam estruturas muito frágeis e poderiam ser quebradas muito facilmente com alguma pancada ou se o dinossauro fosse atacado por um predador", disse Gallina.

"Eles precisavam de uma estrutura externa que nós comparamos com o que acontece, por exemplo, com os chifres dos antílopes ou das cabras atuais, onde há uma caixa externa a esse osso formada por queratina."

O enigma dos espinhos

O parente mais próximo do Bajadosaurus é outro dinossauro encontrado em Neuquén, o Amargasaurus, que também tinha grandes espinhos e viveu na área entre 15 milhões e 20 milhões de anos depois.

Os espinhos eram projeções ósseas que saíam das vértebras do pescoço e das costas (Imagem por: Pablo Gallina)

"Nos anos 80, quando o Amargasaurus apareceu, diferentes hipóteses começaram a ser especuladas porque esses espinhos chamavam bastante a atenção."

Sugeriu-se, por exemplo, que os espinhos fossem suportes de "uma espécie de membrana, que regularia a temperatura do corpo, algo que acontece em alguns répteis de hoje."

Outros pesquisadores consideravam a possibilidade de terem sido simplesmente uma crista de exibição com função de atração sexual ou que fossem estruturas capazes de sustentar uma corcunda de carne para armazenar reservas.

Defesa passiva

Gallina e seus colegas levantam outra hipótese: a função dos espinhos era a defesa.

"A explicação que entendemos ser a mais provável é que eram espinhos que sobressaíam do corpo e tinham uma cobertura semelhante a um chifre. A presença dessa cobertura em cabras e antílopes deixa estrias nos ossos, marcas grandes que no Amargasaurus são bem visíveis."

Os restos do dinossauro foram encontrados em Bajada Colorada, uma formação geológica de rochas de 140 milhões de anos (Imagem por: Pablo Gallina)

O mais lógico, segundo o pesquisador, é que a espetacular exibição de espinhos desses dinossauros servisse como uma espécie de "alerta" para afugentar predadores, numa estratégia que ele descreve como "defesa passiva".

"Estes dinossauros passavam praticamente o dia inteiro comendo a vegetação. Tinham de estar permamentemente se alimentando. Eles ficavam com a cabeça abaixada, com o pescoço curvado para frente, deixando os espinhos expostos como se fossem um leque. Eram mais de 20 espinhos apontados para a frente, como um sinal de alerta."

O 'Amargasaurus', também encontrado em Neuquén, só que na década de 1980, é o parente mais próximo de 'Bajadasaurus' (Imagem: Getty Images AVS Turner)

Tanto para o Amargosaurus quanto para o Bajadasaurus, "definitivamente foi positivo ter esses espinhos que à primeira vista parecem ter sido muito incômodos para o animal."

Os fósseis e o nascimento dos Andes

Gallina e os colegas conseguiram recuperar 80% do crânio, o mais bem preservado do mundo para um dinossauro dicreosáurido.

Eles também extraíram das rochas as primeiras vértebras do pescoço e uma das partes do meio, além de dentes e mandíbulas.

A mandíbula com os dentes. O estudo dos dentes permitiu identificar que o dinossauro passava a maior parte do tempo se alimentando de plantas (Imagem por: Pablo Gallina)

Os restos mortais do dinossauro foram encontrados em 2013. A imagem mostra alguns dos dentes dele na rocha (Imagem por: Pablo Gallina)

"Os momentos de descoberta são de muita emoção. Ao encontrar algo de milhões de anos atrás, você faz uma viagem no tempo", disse Gallina.

Mais de 100 espécies de dinossauros foram encontradas na Argentina.

A que se deve essa enorme riqueza em fósseis?

"O que acontece é que praticamente em toda a Patagônia as rochas que estão no solo são de tempos em que existiam os dinossauros", explicou Gallina.

"Grande parte do Mesozóico, desde o Triássico ao Cretáceo, isto é, de 220 milhões de anos atrás a 65 milhões de anos atrás, está exposto nas rochas na superfície e isso é o resultado da elevação dos Andes."

Os pesquisadores conseguiram recuperar 80% do crânio, o mais bem preservado do mundo para um dinossauro dicreosáurido (Imagem por: Pablo Gallina)

O paleontólogo explicou que quando os Andes começaram a aparecer devido ao choque de placas tectônicas, há cerca de 70 milhões de anos, a cordilheira se arrastou e expôs, ao se elevar, todo o território que estava nas profundezas.

"É como se fosse um bolo com camadas em que todas as camadas profundas aparecem e são expostas se você levanta um lado dele", disse o paleontólogo.

"Então, o vento e a erosão foram desgastando essa superfície. Hoje, ao andar pelas ruas de Neuquén, caminhamos sobre o Cretáceo", acrescentou.

Outra razão da riqueza de fósseis é que, devido ao clima da Patagônia, a área é predominantemente deserta, com pouca vegetação, deixando a rocha exposta.

"Se fosse uma superfície como a Amazônia, seria muito difícil encontrar fósseis porque há muita vegetação."

'Não há nada parecido'

Apesar do grande número de descobertas, o Bajadosaurus é particularmente importante, de acordo com Gallina.

"O Bajadasaurus foi encontrado em um local onde estamos trabalhando há alguns anos e que é um dos poucos de 140 milhões de anos que nos mostra algo dos dinossauros dessa época."

"Dos grandes titanossauros gigantes, os grandes carnívoros, há muitos registros."

'É um animal completamente desconhecido, que tinha características únicas e que nós tentamos interpretar, entender', diz pesquisador (Imagem por: Pablo Gallina)

Mas os dinossauros do Cretáceo Inferior, uma janela entre 145 milhões e 120 milhões de anos, são praticamente desconhecidos, disse o pesquisador.

"Estamos justamente aqui, trabalhando com rochas de 140 milhões de anos e tudo o que estamos reconhecendo são novas formas. Isso nos permite estudar a evolução dos dinossauros e como esses grupos se relacionam com os antigos dinossauros do Jurássico."

O que Gallina diria a um grupo de crianças ou adolescentes que vê pela primeira vez os restos de Bajadasaurus?

"A primeira coisa que eu diria é que abram sua imaginação. Ele é um animal completamente desconhecido, que tinha características únicas e nós tentamos interpretá-lo, fazendo estudos rigorosos e comparações com animais modernos como antílopes ou cabras."

"Isso nos ajuda a entender esses animais. Não há nada, nada hoje em dia, com que eles se pareçam."

Fonte: BBC News

terça-feira, 2 de abril de 2019

O que aconteceu nas horas seguintes à queda do asteroide que teria dizimado os dinossauros?

Fósseis e outros materiais descobertos em escavações ​​nos Estados Unidos lançam luz sobre os minutos e horas seguintes à queda do asteroide que mudou a Terra.

Por BBC

A onda de choque sísmica teria provocado um tsunami, conhecido como seiche — Foto: ROBERT DEPALMA/BBC 

Cientistas descobriram uma imagem extraordinária do impacto da queda do asteroide que dizimou os dinossauros há 66 milhões de anos.

Escavações em Dakota do Norte, nos Estados Unidos, revelam fósseis de peixes e árvores pulverizadas com fragmentos rochosos e de vidro que caíram do céu.

Os depósitos também mostram evidências de terem sido inundados com água - conseqüência do enorme tsunami gerado pelo impacto.

Os detalhes foram divulgados na revista científica PNAS. 

DePalma, da Universidade do Kansas, diz que local da escavação oferece incrível visão do que aconteceu após a queda do asteroide — Foto: Robert DePalma/BBC 

Robert DePalma, da Universidade do Kansas, e seus colegas dizem que o local da escavação, em uma área chamada Tanis, oferece uma incrível visão de eventos que provavelmente ocorreram poucos minutos ou horas após o asteroide gigante atingir a Terra. 

  Quando esse objeto de 12 quilômetros de largura atingiu o que é hoje o Golfo do México, teria lançado bilhões de toneladas de rocha derretida e vaporizada no céu em todas as direções - e por milhares de quilômetros.

Em Tanis, os fósseis registram o momento em que esse material caiu de volta, como gotas, metralhando tudo o que tinha no caminho.

Os peixes foram encontrados com detritos gerados pelo impacto incrustados em suas brânquias. Eles teriam respirado os fragmentos que enchiam a água ao redor deles.

Há também partículas capturadas em âmbar, que são os restos preservados da resina de árvores. E é até possível identificar o rastro deixado por esses minúsculos tectitos - como são chamadas tecnicamente essas pequenas rochas de vidro - quando elas entraram na resina. 

Os peixes fossilizados ficaram uns sobre os outros quando foram jogados em terra pelo seicha — Foto: Robert DePalma/BBC

Geoquímicos conseguiram relacionar diretamente o material gerado pela queda do asteroide ao chamado local de impacto de Chicxulub, no Golfo. Eles também dataram os fragmentos de 65,76 milhões de anos, o que está bastante de acordo com a cronologia do evento desenvolvida a partir de evidências colhidas em outros locais ao redor do mundo.

Pelo modo como os depósitos de Tanis são organizados, os cientistas foram capazes de identificar que a área foi atingida por uma enorme onda de água. 

Embora o impacto tenha gerado um enorme tsunami, seriam necessárias muitas horas para que essa onda percorresse os 3.000 km do Golfo até Dakota do Norte, apesar da provável presença de um mar atravessando diretamente o território norte-americano.

Tectitos permitem estimar que o impacto ocorreu há 65,76 milhões de anos — Foto: Robert DePalma/BBC 

Os pesquisadores acreditam que, em vez disso, a água local pode ter sido deslocada muito mais rapidamente pela onda de choque sísmica - equivalente a um terremoto de magnitude 10 ou 11 - que teria ondulado ao redor da Terra. É um tipo de onda descrita como seicha, que teria apanhado tudo pelo caminho e atirado no emaranhado de espécimes que estão agora sendo registradas pela equipe.

"Um emaranhado de peixes de água doce, vertebrados terrestres, árvores, galhos, troncos, amonites marinhos e outras criaturas marinhas foi todo compactado nesta camada pela onda", disse DePalma.

"Um tsunami teria levado pelo menos 17 ou mais horas para chegar ao local da cratera, mas as ondas sísmicas - e uma onda subsequente - teriam atingido o local em dezenas de minutos", acrescentou.

O artigo publicado no jornal PNAS, online a partir desta segunda-feira (1º), inclui entre os autores Walter Alvarez, geólogo californiano que, com o pai, Luis Alvarez, é reconhecido por ajudar a desenvolver a teoria do impacto para a extinção dos dinossauros. 

  A dupla Alvarez identificou uma camada de sedimentos na fronteira dos períodos geológicos do Cretáceo e do Palaeogene que foram enriquecidos com irídio, um elemento comumente encontrado em asteroides e meteoritos.

Vestígios de irídio também teriam coberto os depósitos de Tanis.

"Quando propusemos a hipótese do impacto para explicar a grande extinção, ela se baseou apenas em encontrar uma concentração anormal de irídio - a impressão digital de um asteroide ou cometa", disse o professor Alvarez. "Desde então, a evidência foi gradualmente construída. Mas nunca me passou pela cabeça que encontraríamos um leito de morte como este."

Phil Manning, da Universidade de Manchester, o único autor britânico no artigo, comentou: "Esse é um dos locais mais importantes do mundo agora. Se você queria mesmo entender o último dia dos dinossauros, é o que ele mostra", disse ele à BBC News. 

SAIBA MAIS: A Cratera Chicxulub - O evento que mudou a vida na Terra

• Um objeto de 12 km de largura escavou um buraco na crosta terrestre com 100 km de diâmetro e 30 km de profundidade;

• Este buraco então cedeu, deixando uma cratera de 200km de diâmetro e alguns km de profundidade;

• Hoje, grande parte da cratera se encontra coberta pelo mar, e sob 600m de sedimentos;

• Em terra, ela é coberta por calcário, mas sua borda é marcada por um arco de sumidouros - como poços;

• Cientistas recentemente perfuraram a estrutura da cratera para investigar sua formação. 

Famosos cenotes (cavidades) mexicanos se formaram a partir de calcário enfraquecido sobre Cratera de Chicxulub — Foto: Max Alexander

Fonte: Portal G1

terça-feira, 5 de março de 2019

Descoberta nova espécie de dinossauro no Brasil

É uma mistura de tiranossauro e velociraptor


A nova espécie de dinossauro descoberta na região sul do Brasil foi chamada de Nhandumirim waldsangae e é uma "mistura" de tiranossauro e velociraptor (foto: Jornal da USP/Reprodução)

Pesquisadores da USP encontraram uma nova espécie de dinossauro que viveu há cerca de 233 milhões de anos onde hoje é a região sul do Brasil. Batizado de Nhandumirim waldsangae, ele foi apresentado em estudo publicado no periódico científico Journal of Vertebrate Paleontology na última quinta, dia 14 de fevereiro. Conforme os cientistas, a espécie seria um parente do Tyrannosaurus rex e do Velociraptor mongoliensis, dois famosos dinossauros predadores.

Os ossos do Nhandumirim waldsangae foram encontrado em 2012 na Formação Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em rochas do período Triássico Superior (entre 237 milhões e 201,3 milhões de anos atrás). Apesar do esqueleto estar incompleto, as características anatômicas observadas em 12 vértebras, um chevron e nos ossos da perna direita e as análises filogenéticas permitiram aos pesquisadores classificá-lo como uma nova espécie de terópode (bípede), sendo a mais antiga do Brasil.

"O esqueleto é fragmentário e obviamente precisa de um esqueleto mais completo para que essa hipótese ganhe mais robustez, mas os primeiros resultados mostram um membro da linhagem dos dinossauros terópodes", comenta o biólogo Júlio Marsola, um dos autores do artigo, em entrevista ao Jornal da USP.

Os terópodes são uma linhagem de dinossauros que faz parte do grande grupo dos saurísquios (quadril de lagarto). Outras duas linhagens fazem parte do grupo dos herrerasaurídeos, carnívoros, e dos sauropodomorfos, herbívoros que tinham como característica marcante os longos pescoços. O Nhandumirim não tem nada a ver com os herrerasaurídeos, mas divide algumas características com os sauropodomorfos.

"Eu tentei atacar duas frentes. Mostrar que esse bicho tem características que são diferentes dos pescoçudos que a gente tem aqui [no Brasil], que são os sauropodomorfos. E, ao mesmo tempo, que ele é mais proximamente relacionado desses terópodes", afirma Marsola, que assina o trabalho junto com o professor Max Langer, do Laboratório de Paleontologia da USP, e com outros pesquisadores das universidades federais de Santa Maria, Minas Gerais e Pernambuco e da Universidade de Birmingham, no Reino Unido.

Ossos delgados

O nome da nova espécie proposta traduz como os cientistas imaginam que era o animal. "Nhandu" é uma palavra tupi-guarani para ema ou outras aves similares. "Mirim" significa pequeno. Segundo Júlio Marsola, os ossos delgados do animal são incompatíveis com a silhueta de um animal pesado e sugerem que ele era um bípede algo parecido com uma seriema. Para ficar entre parentes mais próximos, pode-se dizer que o Nhandumirim tinha traços parecidos com outro terópode, um carnívoro bípede chamado Coelophysis, que foi descoberto nos Estados Unidos em 1889.

A análise dos ossos também indica que ele teria pouco mais de um metro de comprimento – portanto, considerado pequeno em relação ao que se espera de um dinossauro. Porém, como se trata de um fóssil de um animal jovem, é difícil estabelecer o tamanho que ele atingiria quando adulto.

Já o termo "waldsangae" se refere ao sítio paleontológico onde foi encontrado. O sítio Waldsanga, também conhecido como Cerro da Alemoa, fica nos arredores de Santa Maria, município do Rio Grande do Sul. Marsola conta ao Jornal da USP que essa formação geológica e algumas outras localidades na Argentina representam alguns dos mais antigos depósitos do mundo com ocorrência de fósseis de dinossauros. Esses depósitos datam do período Carniano – uma subdivisão do Triássico Superior. Até a descoberta do Nhandumirim, o terópode mais antigo do Brasil foi um fóssil encontrado em rochas muito mais recentes.

Aliás, o Nhandumirim waldsangae é muito mais antigo do que seus parentes mais famosos. O Tyrannosaurus rex e o Velociraptor mongoliensis são do final do Cretáceo, o último período em que há registros paleontológicos de grandes dinossauros. Eles viveram entre 66 e 78 milhões de anos atrás, muito mais recente do que o novo dinossauro de 233 milhões de anos.

(com Jornal da USP)

Fonte: Encontro Digital

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

CONHEÇA NHANDUMIRIM, O NOVO DINOSSAURO BRASILEIRO

CARNÍVORO E PEQUENO, O DINOSSAURO É UMA DAS ESPÉCIES MAIS ANTIGAS DO MUNDO!

Os dinossauros encantam e dão medo em muita gente. Extintos há milhares de anos, esses lagartos pré-históricos já foram retratados no cinema e em histórias.

Quem não se lembra do temível Tiranossauro Rex, ou T-Rex para os íntimos, no filme Jurassic Park?

O grandão chegava a medir 4 metros de altura e 12 metros de comprimento. Este rei do período cretáceo (localizado entre 145 e 65 milhões de anos atrás) acaba de ganhar um novo parente e vai precisar dividir seu parque com mais um integrante da família: o Nhandumirim waldsangae.


A nova espécie foi descoberta por paleontólogos no Sul do Brasil, em Santa Maria (RS).

O dino pode ser o mais antigo ancestral da linhagem que deu origem a dinossauros como Tiranossauro e Velociraptor mongoliensis – outra espécie bem famosa nos filmes de Steven Spielberg.

“Apesar de relativamente incompleto, podemos falar que ele pertence ao grupo terópode, bípedes carnívoros, sendo o representante brasileiro mais antigo desse grupo”, informa Max Cardoso Langer, paleontólogo da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do estudo.

Com 233 milhões de anos o fóssil (saiba por que os dinossauros viraram ossos aqui) foi encontrado em 2012 e pertenceu a um dino adolescente. O jovem dinossauro tinha pouco mais de um metro de comprimento, porém, por ser muito novo, não se sabe qual o tamanho ele atingiria na idade adulta.

CARINHA DE LAGARTIXA, CORPINHO DE EMA

Apesar de não ter o tamanho imponente de seu primo distante, o novo dinossauro gaúcho foi um predador de sua era. Mas se engana quem pensa que ele se pareça com os répteis.

Na verdade, seu nome – Nhandumirim waldsangae – é uma mistura de tupi-guarani e latim e significa “ema pequena de Waldsanga”. O nome foi escolhido devido à grande semelhança do dino, no tamanho e nas patas, com a ema e o avestruz.

No local onde o dino foi encontrado já haviam sido descobertas outras duas espécies de dinossauro, igualmente antigas: Saturnalia tupiniquim e Staurikosaurus pricei.

Fonte: Portal Minas Faz Ciência / Autora: Tuany Nathany

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Extinção: A onda de 1,6 mil metros que pode ter ajudado a dizimar os dinossauros

Cientistas afirmam que o impacto de um asteroide há 65 milhões de anos causou o tsunami mais devastador da história.

Por BBC

A maior onda já documentada no hemisfério sul na história moderna tinha 23,8 metros de altura — Foto: Uplash 

Em maio de 2018, cientistas documentaram nas Ilhas Campbell, na Nova Zelândia, a maior onda já registrada no hemisfério sul na história moderna.

Ela media 23,8 metros de altura.

Você consegue imaginar uma onda quase 70 vezes maior?

Há 65 milhões de anos, um asteroide de 14 quilômetros de diâmetro atingiu a Terra com consequências catastróficas.

O impacto abriu uma cratera de 180 quilômetros de diâmetro, cujo centro está localizado na atual Península de Yucatán, no México. 

A onda gigante pode ter sido parte da causa da extinção dos dinossauros — Foto: Fausto Garcia/Unplash 



Conhecido como asteroide de Chicxulub, nome da cidade mais próxima à cratera, o corpo celeste seria parte de um asteroide muito maior que, após uma colisão no espaço, se dividiu em vários fragmentos.

Entre outras coisas, ele pode ter ajudado a dizimar os dinossauros, que eram os vertebrados terrestres dominantes.

Agora, pesquisadores do Departamento de Ciências da Terra e Meio Ambiente da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, afirmam que o asteroide também gerou um tsunami, responsável por uma destruição sem precedentes.

Força da água

Segundo a equipe de cientistas, o enorme impacto fez com que o asteroide afundasse a 1,5 mil metros de profundidade nos dez minutos que se seguiram à colisão.

A força um tsunami nunca visto.

Estima-se que a potência dele foi 29 mil vezes maior do que a do terremoto e do subsequente tsunami que matou mais de 200 mil pessoas no Oceano Índico em 2004.

Há 65 milhões de anos, o impacto de um asteroide gerou um tsunami com consequências catastróficas, dizem cientistas — Foto: dimitrisvetsikas1969/Creative Commons 

Por meio de uma simulação, os pesquisadores concluíram que o impacto do asteroide Chicxulub gerou uma onda de 1,6 mil metros de altura - quatro vezes maior que o Empire State Building, em Nova York.

Nos primeiros metros, o tsunami chegou a alcançar velocidades superiores a 140 quilômetros por hora, segundo os cientistas.

Essa onda gigante inicial gerou centenas de réplicas menores que percorreram boa parte do planeta em alta velocidade.

Nas primeiras 24 horas, os efeitos do impacto do tsunami se estenderam do Golfo do México ao Atlântico. 

"O asteroide Chicxulub causou um enorme tsunami, como nunca foi visto na história moderna", afirmou Molly Range, principal pesquisadora do projeto, ao site de notícias científicas Live Science.

"Só no início deste projeto que me dei conta da escala real do tsunami".

Sem dúvida, um divisor de águas para o nosso planeta. 

Fonte: Portal G1

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Nova espécie de dinossauro é descoberta — e seu fóssil parece uma joia

Fóssil brilhante foi encontrado na Austrália: transformações químicas de milhões de anos foram responsáveis pela mudança no aspecto

Redação Galileu

Fóssil opalizado do Weewarrasaurus pobeni (Foto: University of New England)

Já imaginou a emoção de encontrar uma nova espécie de dinossauro? E se essa nova espécie fosse preservada de forma especial? Foi o que pesquisadores australianos encontraram em uma mina de opala: uma nova espécie de dinossauro, batizada de Weewarrasaurus pobeni, que se transformou em nada menos do que um belo fóssil opalizado.

O Weewarrasaurus pobeni viveu há 100 milhões de anos, durante o período Cretáceo, quando as proximidades da mina de Wee Waa, onde foi encontrado, eram espaços verdes e exuberantes — nada parecidos com a atual paisagem desértica da região de Lightning Ridge, cidade vizinha.

No Cretáceo, essa região era uma rica planície aluvial à beira do extinto Mar Eromanga, onde a vida pré-histórica era abundante e foi preservada na lama. Ao longo de milhões de anos, a lama se transformou em arenito e, com a secura do Mar Eromanga, a acidez do material começou a aumentar e liberar sílica. Esse composto se acumulou em cavidades e bolsões — como aqueles deixados para trás por ossos cariados, por exemplo.

Quando os níveis de acidez de sílica diminuíram, esses bolsos endureceram e se transformaram em opala. O resultado de todo esse processo foram moldes de arco-íris brilhantes e cintilantes de restos antigos. Lightning Ridge é a região onde mais ocorreu opalização em todo o mundo.

O Weewarrasaurus

Além de ter um lindo fóssil, a nova espécie também é especial por ser a primeira encontrada no estado de Nova Gales do Sul em quase um século. O único fragmento recuperado do Weewarrasaurus foi o seu maxilar inferior, que possui dentes intactos capazes de dizer muito sobre as suas características e estilo de vida.

Reconstrução artítica do Weewarrasaurus pobeni (Foto: James Kuether/University of New England)

"Eu lembro do Mike [Poben, colecionador de opalas] me mostrando o espécime e a minha boa caiu. Eu tive que me esforçar para conter a minha animação, era muito bonito", conta Phil Bell, paleontólogo da Universidade da Nova Inglaterra e autor principal do artigo publicado na PeerJ.

De acordo com Bell, o novo dinossauro era uma pequena espécie de ornitópode, um grupo de dinossauros bípedes e herbívoros que inclue o Parasaurolophus e o Iguanodon. Por ora, o fóssil está abrigado no Centro Australiano de Opalas de Lightning Ridge, junto a uma coleção de fósseis opalizados.

No artigo, o cientista explica que, para além da beleza, o fóssil também projeta uma ideia melhor sobre a diversidade de espécies da região. Antes, eram conhecidas apenas duas espécies de ornitópodes australianos — o Muttaburrasaurus e uma que ainda está sendo estudada, ambas de grande porte. Agora, com a descoberta do Weewarrasaurus, sabe-se que espécies menores também habitavam a região.

Segundo os paleontólogos, esse é um contexto muito diferente do encontrado na América, onde era mais comuns que pequenos herbívoros competissem por alimento com grandes criaturas como o Triceraptops e o Alamossauro. Por isso, fósseis como este são necessários para entender a distribuição e diversidade animal de períodos remotos.

(Com informações do Science Alert)

Fonte: Revista Galileu

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Cientistas descobrem ovos de dinossauros coloridos

Alguns dinossauros punham ovos coloridos, salpicados e manchados com tons extraordinários de azul e marrom, uma descoberta que desafia a ideia de que tais características excepcionais surgiram com os pássaros, disseram cientistas hoje (1).

Uma análise de 12 cascas de ovos de dinossauros fossilizadas da Europa, Ásia, América do Norte e América do Sul detectou os mesmos dois pigmentos presentes em ovos coloridos de pássaros em um grupo de dinossauros chamado eumaniraptorans, que inclui carnívoros conhecidos como o velociraptor e o pequeno dinossauro de penas que foi ancestral dos pássaros.

A coloração azul-escura dos ovos proporcionava uma vantagem evolutiva aos dinossauros

“Descobrimos que a cor nos ovos não é um traço único de nossos pássaros modernos, mas evoluíram de seus ancestrais dinossauros não-aviários”, disse Jasmina Wiemann, paleontóloga da Universidade Yale que liderou o estudo publicado no periódico científico “Nature”. “Nosso estudo muda fundamentalmente nosso entendimento da evolução da cor nos ovos, e acrescenta cor aos ninhos de dinossauros do ‘Jurassic World’ verdadeiro.”

Um exemplo é o Deinonico, predador de garras em forma de foice que punha ovos azuis com manchas marrons, e o oviraptor, que se parecia a um pássaro por ter um bico sem dentes e colocava ovos azul-escuros.

Os pássaros evoluíram a partir de dinossauros eumaniraptoran do Período Jurássico. O pássaro mais antigo que se conhece, o Archaeopteryx, que viveu cerca de 150 milhões de anos atrás na Alemanha.

Em geral, os eumaniraptorans, parte de um grupo mais amplo de dinossauros carnívoros de duas pernas conhecidos como theropoda, eram pequenos e semelhantes a pássaros, sendo cobertos por uma plumagem colorida. Entre eles havia predadores de até 9 metros de comprimento e pequenos como gatos domésticos, mas não colossos como o Tyrannosaurus rex e o Giganotosaurus.

A cor nos ovos proporcionava uma vantagem evolutiva aos dinossauros que montavam ninhos expostos para seus ovos, ao invés de enterrá-los como o crocodilos e as tartarugas fazem, em parte por criar uma camuflagem contra predadores que comiam ovos, disseram os pesquisadores.

Todos os outros dinossauros estudados produziam ovos brancos comuns, o que indica uma única origem evolutiva de cor nos ovos nos eumaniraptorans que foi transmitida a seus descendentes pássaros.

No caso dos eumaniraptorans, os pesquisadores descobriram indícios de um pigmento azul-esverdeado chamado biliverdina e um pigmento vermelho-marrom chamado protoporfirina IX integrados estruturalmente na matriz cristalina da casca do ovo, assim como ocorre nos pássaros.

Fonte: Reuters e Forbes

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

“Dynamoterror”, primo de T-Rex, é novo dinossauro descoberto

Mais velho e ligeiramente menor que seu parente mais famoso, espécie é importante para entender dinossauros gigantes

Desenho de um Dynamoterror (Foto: Reprodução/Dont Mess With Dinosaurs)

O Tiranossauro Rex é o rei dos dinossauros. Mas milhões de anos antes do gigante pisar na Terra, outro membro do gênero reinava supremo – com um nome igualmente incrível: Dynamoterror dynastes. 

Um novo estudo publicado no periódico PeerJ descreve a besta, recém-descoberta com a utilização de fósseis encontrados em San Juan Basin, no Novo México, por um time liderado pelos paleontólogos Andrew McDonald e Douglas Wolfe. Estima-se que ele teria até 9,1 metros da cabeça até a cauda, aproximadamente 80% do tamanho de um T-Rex adulto.

Ele também é um dos Tiranossauros mais antigos a serem descobertos na América do Norte. Enquanto o T-Rex viveu entre 68 e 66 milhões de anos atrás, outros da espécie datam de 77 milhões de anos atrás. Já esta descoberta vai mais longe: 80 milhões. Seu habitat era conhecido como Laramidia, um continente em formato de ilha que foi hospedeiro de múltiplos predadores gigantes.

Estudiosos acreditam que o Dynamoterror poderia explicar como a espécie evoluiu em termos de tamanho para tornar-se os maiores predadores da época. A maior parte de seus restos foi fragmentada e está incompleta, dificultando o estudo. Ainda assim, foi possível encontrar um par de ossos frontais bem preservados da parte do crânio, o que possibilitou a identificação da nova espécie.

Fonte: Revista Galileu