sexta-feira, 25 de outubro de 2013
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Editorial: Comportamento animal
O uso de animais em experimentos científicos é um tema de debate público que pode ser facilmente enredado numa polarização estéril.
Num extremo se aglutina o radicalismo sentimental dos que reputam defensável violar leis e propriedades para "salvar" animais de alegados maus-tratos. No outro, o pragmatismo míope dos que tomam o avanço da pesquisa como um valor superior a justificar qualquer forma de sofrimento animal.
O acirramento se repetiu em diversos países e, como no Brasil, o debate se desencaminhou --estão aí, para prová-lo, a invasão de um biotério em São Roque (SP) e a legião de apoiadores que encontrou.
Não se chegou aqui, ainda, ao paroxismo alcançado no Reino Unido em 2004, quando a Frente de Libertação Animal impediu, com ameaças e ataques, a construção de centros de testes com animais em Oxford e Cambridge.
Faz muito, entretanto, que a discussão se emancipou do extremismo irracional. Pesquisadores são grandes interessados em diminuir o uso de animais, porque isso custa caro e expõe seus estudos a questionamentos éticos.
Em alguns casos, porém, tal recurso ainda é inevitável, como testes de carcinogenicidade (capacidade de provocar tumores). Banir todas as cobaias implicaria impedir testes de segurança em novos produtos, muitos dos quais criados para aliviar o sofrimento humano.
É inescapável, assim, render-se a uma hierarquia de valores entre as espécies: uma vida humana vale mais que a de um cão, que vale mais que a de um rato. Os próprios invasores do instituto em São Roque, aliás, resgataram 178 cães e deixaram os roedores para trás.
Isso não significa autorizar cientistas a atormentar, mutilar ou sacrificar quantos animais quiserem. A tendência civilizatória tem sido submetê-los ao que ficou conhecido, em inglês, como a regra dos três Rs: "replacement" (substituição), "reduction" (redução) e "refinement" (aperfeiçoamento).
Em primeiro lugar, trata-se de encontrar substitutos. Muito progresso se fez com sistemas "in vitro", como o cultivo de tecidos vivos para testar substâncias potencialmente tóxicas. Depois, quando os animais são imprescindíveis, cabe reduzir ao mínimo o número de espécimes. O terceiro imperativo é refinar métodos para prevenir sofrimento desnecessário.
São os princípios que governam várias leis nacionais sobre a questão, como a de número 11.794/2008 no Brasil. Numa democracia viva, como a nossa, há caminhos institucionais tanto para cumpri-la quanto para modificá-la, e invasões tresloucadas não se encontram entre os admissíveis.
Fonte: Folha de São Paulo
Homem evolui mais devagar que macaco, diz estudo
RAFAEL GARCIA
DE SÃO PAULO
A comparação da atividade genética de humanos com a de chimpanzés sugere que o Homo sapiens está evoluindo de forma mais lenta que os macacos. A descoberta foi feita por cientistas que investigam por que o homem e seu primo mais próximo são tão diferentes, apesar de terem 98% do DNA idêntico.
O segredo das diferenças físicas e comportamentais está em quais genes são de fato ativos em cada espécie. Analisando células embrionárias, a brasileira Carolina Marchetto, do Instituto Salk, de San Diego (EUA), descobriu mecanismos que freiam a taxa de transformação genética da espécie humana.
A descoberta favorece a hipótese de que o advento da cultura desacelerou a evolução biológica: uma vez que humanos se adaptam a distintos ambientes usando o conhecimento, nossa espécie não depende mais tanto de variação genética para evoluir e sobreviver a mudanças.
Já os macacos, mamíferos de cognição mais limitada, precisam que seu DNA evolua de forma rápida para sobreviver a mudanças: eles não têm como compensar a falta de características inatas necessárias usando apenas conhecimento e tecnologia.
Mas o DNA humano também não carece de evoluir? "Não sabemos o que estamos pagando por isso em termos de adaptação, mas por enquanto funciona de forma eficiente", diz Marchetto.
O trabalho da cientista, descrito hoje na revista "Nature", ajuda a explicar o mistério da maior diversidade do DNA símio. Um leigo pode achar que todos os chimpanzés são iguais, mas uma só colônia selvagem desses macacos na África tem mais variabilidade genética do que toda a humanidade.
O PULO DO GENE
Segundo o estudo de Marcheto, a maior variabilidade genética dos macacos tem a ver com os chamados transpósons, genes que saltam de um lugar para outro dos cromossomos. Nesse processo, os transpósons reorganizam o genoma, ativando alguns genes e desativando outros.
Esses "genes saltadores" são bastante ativos em chimpanzés e bonobos (macacos igualmente próximos da linhagem humana). Em humanos, o transpóson é suprimido por dois outros genes que são ativados em abundância e inibem o "pulo" genético.
Chimpanzés, de certa forma, precisam de transpósons. Com ferramentas rudimentares e sem linguagem para transmitir conhecimento, eles têm de oferecer maior variabilidade genética à seleção natural para que ela os torne mais bem adaptados, caso o ambiente se altere.
A pesquisa de Marchetto só foi possível porque seu o laboratório no Salk, liderado pelo biólogo Fred Gage, domina a técnica de reverter células ao estágio embrionário.
O material usado na pesquisa foi extraído da pele de macacos e pessoas, pois há uma série de limitações para o uso de embriões em experimentos científicos.
Revertido ao estágio de "células pluripotentes induzidas", o tecido cutâneo se comporta como embrião, e é possível investigar a biologia molecular dos estágios iniciais do desenvolvimento, quando o surgimento de diversidade genética tem consequências futuras.
"Uma das coisas especiais do nosso estudo é que a reprogramação de células de chimpanzés e bonobos nos dá um modelo para começar a estudar questões evolutivas que antes não tínhamos como abordar", diz Marchetto.
RUMO AO CÉREBRO
As diferenças de ativação de genes entre humanos e chimpanzés, explica, não se restringem a células embrionárias. A ideia de Marcheto e de seus colegas agora é transformar essas células em neurônios, por exemplo, para entender como a biologia molecular de ambos se altera durante a formação do cérebro.
Fonte: Folha de São Paulo
Estudante americano acha fóssil de bebê dinossauro superconservado
GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO
Um estudante de ensino médio dos Estados Unidos encontrou por acaso o fóssil de um bebê dinossauro superconservado, que se tornou nesta semana o exemplar mais completo já registrado de um parassaurolofo --um gigante herbívoro conhecido por ter uma chamativa crista.
Ironicamente, dois paleontólogos profissionais haviam passado dias antes a poucos metros do local em que o menino Kevin Terris encontrou o bicho, no sul do Estado de Utah. A dupla aparentemente não deu muita importância para os fragmentos aparentes do fóssil.
"No começo eu estava interessado em ver o que era aquela parte inicial de osso saltando para fora da pedra", disse o estudante. "Quando nós expusemos o crânio, eu fiquei em êxtase", completou Terris.
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| Concepção artística do dinossauro apelidado de Joe; fóssil foi achado em Utah, nos EUA, por estudante do ensino médio |
Depois de escavado, o fóssil foi estudado por um grupo de pesquisadores que, junto com Terris, foram percebendo a importância da descoberta.
Em um esforço inédito para difundir a descoberta, o material foi todo escaneado em 3D e está disponível online gratuitamente, para que pesquisadores e interessados de todo o mundo também possam estudar o material.
O artigo relatando a descoberta foi publicado na revista de acesso livre "Peer J" e também pode ser acessado de graça (https://peerj.com/articles/182/).
O BICHO
O fóssil, datado de aproximadamente 75 milhões de anos atrás, tem uma série de peculiaridades que o tornaram um feito paleontológico importante. Além de estar praticamente completo, o esqueleto tinha ainda tecidos moles, o que permitiu analisar em ainda mais detalhes o animal.
Quando adulto, o réptil grandalhão passava dos 7,5 metros. O exemplar encontrado, no entanto, tinha cerca de 1,8 metro. Segundo os cientistas, ele morreu antes de completar um ano de idade.
Essa estimativa foi feita com base em uma peculiaridade dos ossos de muitos dinossauros grandes.
"Dinossauros têm anéis de crescimento anual em seus tecidos ósseos, como árvores. Mas nós não vimos [em uma amostra do osso do dinossauro] nem mesmo um anel. Isso significa que ele cresceu e chegou a um quarto do tamanho de um adulto em menos de um ano", afirmou Sara Werning, da Stony Book University, uma das autoras do trabalho que descreve o animal.
Além de ter crescido tão rápido, o dinossauro --batizado de Joe em homenagem a um dos financiadores do museu envolvido no trabalho-- já ensaiava uma pequena protuberância na cabeça.
"Isso é surpreendente porque dinossauros relacionados não desenvolviam sua ornamentação até que eles chegassem pelo menos à metade de seu crescimento. O parassaurolofo tinha de ter um início mais precoce por conta de seu 'capacete' exclusivo", explica Andrew Farke, curador do Museu de Paleontologia Raymond M. Alf e autor principal do trabalho.
Além de seu caráter ornamental, os pesquisadores dizem que a crista desse dinossauro também contribuía para seus sistema vocal.
O esqueleto de Joe estava tão bem conservado que os pesquisadores conseguiram até fazer uma simulação dos sons que o bicho emitia.
Já celebridade no mundo paleontológico, o dinossauro ganhou um site próprio: www.dinosaurjoe.org.
Fonte: Folha de São Paulo
Descoberto vertebrado mais antigo que possuía mandíbula
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Estudante do ensino médio descobre fóssil raro de filhote de dinossauro
Segundo os pesquisadores que analisaram o material, o fóssil pertencia a um herbívoro com menos de um ano de idade
Um estudante americano do ensino médio foi o responsável pela descoberta do menor e mais completo fóssil já encontrado do Parassaurolofo, um dinossauro herbívoro que viveu há cerca de 75 milhões de anos. O filhote, apelidado de Joe, tinha cerca de 1,8 metro de comprimento e menos de um ano de idade. A descoberta foi publicada nesta terça-feira, no periódico PeerJ.
No verão de 2009, Kevin Terris e outros estudantes ajudavam o paleontólogo Andy Farke, do Museu de Paleontologia Raymond M. Alf, nos Estados Unidos, a procurar por fósseis de dinossauros no estado de Utah. No caminho até uma área que nunca havia sido explorada antes, Terris avistou um pedaço de osso saindo de uma rocha. A princípio, Farke acreditou fazer parte de uma costela de dinossauro, comum na região. Uma análise minuciosa mostrou que se tratava dos ossos de dedos e que, do outro lado da rocha, havia um crânio.
Fóssil raro – A equipe concluiu que o fóssil era de um filhote de dinossauro, um achado raro. O material, porém, só pôde ser escavado no ano seguinte, porque no momento de sua descoberta a equipe tinha autorização apenas para coletar ossos encontrados na superfície.
Joe foi levado para o Museu Alf, onde um estudo revelou tratar-se do mais completo Parassaurolofo já encontrado. Apesar de esqueletos adultos desse dinossauro já terem sido descobertos, pouco se sabia sobre seu desenvolvimento. Com menos de um ano de idade e quase 2 metros de comprimento, o fóssil apresenta uma pequena protuberância na parte de trás de seu crânio, que mais tarde se tornaria um tubo de osso oco, principal característica desse dinossauro.
Comunicação – Os cientistas acreditam que esse tubo era usado para amplificar os sons emitidos por esses animais, facilitando sua comunicação.
Esse fato surpreendeu os pesquisadores. Dinossauros semelhantes só começam a desenvolver essa característica quando estão na metade de seu tamanho adulto, enquanto Joe mal havia atingido um quarto dele – estima-se que ele pudesse chegar a mais de 7,5 metros de comprimento.
A análise do crânio do animal permitiu também aos pesquisadores reconstituir sua capacidade vocal. Eles concluíram que, devido ao osso mais curto localizado atrás da cabeça, os filhotes provavelmente emitiam sons muito mais agudos do que os adultos. "Junto com as diferenças visuais, isso pode ter ajudado os animais que viviam na mesma área a descobrir quem era o chefe do grupo", explica Farke.
Um modelo digital em 3D de todo o fóssil foi disponibilizado gratuitamente na internet, a fim de facilitar o acesso a essa descoberta por pesquisadores de todo o mundo.
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Ontogeny in the tube-crested dinosaur Parasaurolophus (Hadrosauridae) and heterochrony in hadrosaurids
Onde foi divulgada: periódico PeerJ
Quem fez: Andrew A. Farke, Derek J. Chok, Annisa Herrero, Brandon Scolieri e Sarah Werning
Instituição: Museu de Paleontologia Raymond M. Alf, nos EUA, e outras
Resultado: Um estudante americano foi o responsável pela descoberta do menor e mais completo fóssil já encontrado do Parassaurolofo, um dinossauro herbívoro que viveu há cerca de 75 milhões de anos
Fonte: Veja
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| Fóssil: encontrado no estado americano de Utah, o filhote de dinossauro teria menos de um ano e 1,8 metro de comprimento (Museu de Paleontologia Raymond M. Alf ) |
Um estudante americano do ensino médio foi o responsável pela descoberta do menor e mais completo fóssil já encontrado do Parassaurolofo, um dinossauro herbívoro que viveu há cerca de 75 milhões de anos. O filhote, apelidado de Joe, tinha cerca de 1,8 metro de comprimento e menos de um ano de idade. A descoberta foi publicada nesta terça-feira, no periódico PeerJ.
No verão de 2009, Kevin Terris e outros estudantes ajudavam o paleontólogo Andy Farke, do Museu de Paleontologia Raymond M. Alf, nos Estados Unidos, a procurar por fósseis de dinossauros no estado de Utah. No caminho até uma área que nunca havia sido explorada antes, Terris avistou um pedaço de osso saindo de uma rocha. A princípio, Farke acreditou fazer parte de uma costela de dinossauro, comum na região. Uma análise minuciosa mostrou que se tratava dos ossos de dedos e que, do outro lado da rocha, havia um crânio.
Fóssil raro – A equipe concluiu que o fóssil era de um filhote de dinossauro, um achado raro. O material, porém, só pôde ser escavado no ano seguinte, porque no momento de sua descoberta a equipe tinha autorização apenas para coletar ossos encontrados na superfície.
Joe foi levado para o Museu Alf, onde um estudo revelou tratar-se do mais completo Parassaurolofo já encontrado. Apesar de esqueletos adultos desse dinossauro já terem sido descobertos, pouco se sabia sobre seu desenvolvimento. Com menos de um ano de idade e quase 2 metros de comprimento, o fóssil apresenta uma pequena protuberância na parte de trás de seu crânio, que mais tarde se tornaria um tubo de osso oco, principal característica desse dinossauro.
Comunicação – Os cientistas acreditam que esse tubo era usado para amplificar os sons emitidos por esses animais, facilitando sua comunicação.
Esse fato surpreendeu os pesquisadores. Dinossauros semelhantes só começam a desenvolver essa característica quando estão na metade de seu tamanho adulto, enquanto Joe mal havia atingido um quarto dele – estima-se que ele pudesse chegar a mais de 7,5 metros de comprimento.
A análise do crânio do animal permitiu também aos pesquisadores reconstituir sua capacidade vocal. Eles concluíram que, devido ao osso mais curto localizado atrás da cabeça, os filhotes provavelmente emitiam sons muito mais agudos do que os adultos. "Junto com as diferenças visuais, isso pode ter ajudado os animais que viviam na mesma área a descobrir quem era o chefe do grupo", explica Farke.
Um modelo digital em 3D de todo o fóssil foi disponibilizado gratuitamente na internet, a fim de facilitar o acesso a essa descoberta por pesquisadores de todo o mundo.
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Ontogeny in the tube-crested dinosaur Parasaurolophus (Hadrosauridae) and heterochrony in hadrosaurids
Onde foi divulgada: periódico PeerJ
Quem fez: Andrew A. Farke, Derek J. Chok, Annisa Herrero, Brandon Scolieri e Sarah Werning
Instituição: Museu de Paleontologia Raymond M. Alf, nos EUA, e outras
Resultado: Um estudante americano foi o responsável pela descoberta do menor e mais completo fóssil já encontrado do Parassaurolofo, um dinossauro herbívoro que viveu há cerca de 75 milhões de anos
Fonte: Veja
Archaeopteryx tinha coloração diferente
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Megaconus revelado
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